HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2022
Uma parturiente com idade gestacional de 40 semanas e 4 dias, primigesta, pré-natal de baixo risco sem intercorrências, AFU = 42 cm, encontra-se com colo pérvio para 8 cm ao toque vaginal, bolsa rota com líquido amniótico claro, polo cefálico há quatro horas mantendo-se no plano +1 de De Lee com bossa ++/4+ e assinclitismo de Litzmann. Verifica-se cardiotocografia basal com padrão tranquilizador. Tendo em vista o caso clínico apresentado, julgue o item.Há desproporção cefalopélvica (DCP) e está indicada a aplicação de fórceps.
Assinclitismo e bossa fetal podem indicar distocia de progressão, mas não necessariamente DCP, e fórceps não é a conduta inicial.
A presença de assinclitismo e bossa fetal, com polo cefálico estacionado em +1 de De Lee por 4 horas, indica uma distocia de progressão. No entanto, isso não é sinônimo de desproporção cefalopélvica (DCP) e a aplicação de fórceps não é a conduta inicial, especialmente com cardiotocografia tranquilizadora. Pode ser necessário reavaliar a dinâmica uterina ou considerar uma cesariana se não houver progressão.
O trabalho de parto é um processo dinâmico que envolve a interação entre o poder uterino, o trajeto pélvico e o feto. Distúrbios em qualquer um desses componentes podem levar a uma distocia de progressão. A desproporção cefalopélvica (DCP) é uma condição na qual a cabeça fetal é muito grande para passar pela pelve materna, sendo um diagnóstico de exclusão. No entanto, outras causas de distocia, como as anomalias de apresentação e posição fetal (ex: assinclitismo), ou contrações uterinas inadequadas, são mais comuns. No caso apresentado, a parturiente tem colo pérvio para 8 cm, com polo cefálico estacionado em +1 de De Lee por 4 horas, associado a bossa e assinclitismo de Litzmann. Isso caracteriza uma parada secundária da dilatação ou da descida. A bossa fetal e o assinclitismo são sinais de que a cabeça fetal está encontrando resistência, mas não confirmam DCP. O assinclitismo de Litzmann (parietal posterior) é uma forma de má adaptação da cabeça fetal à pelve, que pode ser corrigida com a progressão do trabalho de parto ou, em alguns casos, exigir intervenção. A conduta de aplicar fórceps não é a mais adequada neste momento. O fórceps é um instrumento para abreviar o período expulsivo, quando há dilatação total e a cabeça fetal está mais baixa. Com colo em 8 cm e polo em +1, ainda não estamos no período expulsivo. A conduta inicial seria reavaliar a dinâmica uterina, considerar a amniotomia (se a bolsa não estivesse rota) ou ocitocina para melhorar as contrações, e observar a evolução. A indicação de cesariana seria considerada se não houvesse progressão após essas medidas ou se houvesse sofrimento fetal. Portanto, afirmar que há DCP e indicação de fórceps é incorreto.
Assinclitismo é a inclinação lateral da cabeça fetal em relação ao eixo pélvico materno. Pode dificultar a descida e a rotação, causando distocia de progressão.
Não necessariamente. A bossa fetal é um edema do couro cabeludo causado pela pressão do colo uterino ou da pelve, podendo ocorrer em distocias de progressão sem DCP verdadeira.
O fórceps é indicado em casos de parada de progressão no período expulsivo, desde que haja condições para sua aplicação (dilatação total, bolsa rota, apresentação cefálica, bacia favorável, ausência de DCP) e necessidade de abreviar o parto (ex: sofrimento fetal). Não é a primeira conduta em parada de descida no plano +1 com colo 8cm.
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