Desproporção Céfalo-Pélvica: Diagnóstico e Conduta no Parto

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Considere a assistência ao parto de uma primigesta, de termo, com AU de 34 cm, dinâmica de 5 contrações em 10 minutos com 40 segundos de duração, colo totalmente dilatado, bolsa rota sem líquido, feto em apresentação cefálica em OET no plano zero de De Lee, com dificuldade de se identificarem as fontanelas pela presença de bossa e acavalgamento de sutura. Está nessas condições há 2 horas. A frequência cardíaca fetal está normal. Diante desses achados, é correto

Alternativas

  1. A) fazer fórcipe de Kjelland para abreviação do período expulsivo.
  2. B) fazer fórcipe de Kjelland por distócia de rotação.
  3. C) fazer cesárea por desproporção céfalo-pélvica.
  4. D) aguardar o final do período expulsivo, pois o feto está com boa vitalidade.
  5. E) introduzir ocitocina em bomba de infusão para coordenar as contrações e corrigir a distócia funcional.

Pérola Clínica

Parada de progressão com bossa/acavalgamento em plano zero = desproporção céfalo-pélvica → cesárea.

Resumo-Chave

A presença de bossa serossanguínea e acavalgamento de suturas fetais, associada à parada de progressão do trabalho de parto por 2 horas com o feto em plano zero de De Lee, indica uma desproporção céfalo-pélvica. Nesses casos, a via de parto vaginal não é segura, e a cesariana é a conduta correta para evitar sofrimento fetal e materno.

Contexto Educacional

A desproporção céfalo-pélvica (DCP) é uma das principais causas de distocia no trabalho de parto, ocorrendo quando há uma incompatibilidade entre o tamanho da cabeça fetal e as dimensões da pelve materna. Embora a pelve seja avaliada no pré-natal, a DCP é um diagnóstico funcional, estabelecido durante o trabalho de parto ativo, quando há parada de progressão apesar de contrações uterinas adequadas. No caso apresentado, a primigesta com colo totalmente dilatado, bolsa rota, feto em apresentação cefálica em OET no plano zero de De Lee, e a presença de bossa serossanguínea e acavalgamento de suturas, após 2 horas sem progressão, são achados clássicos de DCP. A bossa e o acavalgamento são sinais de que a cabeça fetal está sofrendo compressão significativa na tentativa de se adaptar ao canal de parto, sem sucesso. Diante desses achados, a conduta correta é a cesariana. Tentar um parto vaginal assistido (fórcipe) ou aumentar a ocitocina seria contraproducente e perigoso, pois a obstrução é mecânica. A cesariana evita complicações graves como sofrimento fetal agudo, rotura uterina, fístulas vesicovaginais ou retovaginais, e lesões neurológicas fetais. A vitalidade fetal normal no momento não anula a indicação, pois a persistência da obstrução levará a comprometimento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desproporção céfalo-pélvica no trabalho de parto?

Sinais incluem parada de progressão da dilatação ou descida, presença de bossa serossanguínea e acavalgamento de suturas fetais, e o feto permanecendo em planos altos (ex: plano zero de De Lee) por tempo prolongado.

Por que a cesariana é indicada em caso de desproporção céfalo-pélvica?

A cesariana é a via de parto segura porque a pelve materna não permite a passagem da cabeça fetal, evitando complicações como sofrimento fetal, rotura uterina e lesões maternas graves.

O que é a bossa serossanguínea e o acavalgamento de suturas?

A bossa é um edema no couro cabeludo fetal causado pela pressão do colo uterino ou da pelve. O acavalgamento é a sobreposição das suturas cranianas fetais, ambos indicando pressão excessiva e dificuldade de passagem pelo canal de parto.

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