DCP e Parto Cesáreo: Conduta no Trabalho de Parto Prolongado

HSC - Hospital Samaritano Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Primigesta com 35 anos de idade e 38 semanas de idade gestacional confirmada pela DUM, diabética gestacional controlada com dieta. É admitida no PS com exame obstétrico: altura uterina 37 cm; dinâmica uterina = 4 contrações de mais de 40 segundos em 10 minutos; BCF:144 bpm, com aceleração transitória presente. Ao toque vaginal o colo uterino estava dilatado para 3 cm, esvaecido 80% e anteriorizado; apresentação cefálica, bolsa rota, líquido claro e grumos presentes. A evolução do trabalho de parto é apresentada no partograma ilustrado abaixo: De acordo com o quadro clínico e evolução, assinale a alternativa com a conduta mais adequada, baseada nos princípios da OMS de 2018.

Alternativas

  1. A) Indicar parto cesáreo devido à hipótese de desproporção céfalo-pélvica.
  2. B) Administrar ocitocina e guardar o desprendimento do polo cefálico.
  3. C) Solicitar que a paciente deambule e aguardar a descida do feto.
  4. D) Realizar episiotomia e aguardar o desprendimento do polo cefálico.

Pérola Clínica

Falha de progressão em primigesta com DG → suspeitar DPC → cesariana conforme OMS 2018.

Resumo-Chave

Em primigestas com fatores de risco como idade avançada e diabetes gestacional (mesmo controlada, pode levar a macrossomia), a falha de progressão do trabalho de parto, evidenciada por um partograma que não avança adequadamente, sugere desproporção céfalo-pélvica (DCP), indicando a necessidade de cesariana para evitar complicações maternas e fetais.

Contexto Educacional

O manejo do trabalho de parto é um dos pilares da prática obstétrica, exigindo discernimento para equilibrar a promoção do parto vaginal fisiológico com a segurança materno-fetal. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2018 buscam otimizar os desfechos, desencorajando intervenções desnecessárias, mas sempre priorizando a saúde da mãe e do bebê. Em casos de primigestas com idade materna avançada e diabetes gestacional, mesmo que controlada, o risco de macrossomia fetal e, consequentemente, de desproporção céfalo-pélvica (DCP) é aumentado. A DCP é uma das principais causas de distocia de progressão, onde o trabalho de parto não evolui adequadamente apesar de contrações uterinas eficazes. O partograma é uma ferramenta essencial para monitorar essa progressão e identificar desvios da normalidade. Quando o partograma indica uma falha de progressão que não responde a medidas de suporte e otimização (como deambulação, hidratação), e há suspeita de DCP, a indicação de parto cesáreo torna-se a conduta mais segura. Para residentes, é fundamental dominar a interpretação do partograma e as indicações de cesariana, garantindo um manejo obstétrico baseado em evidências e na segurança do binômio mãe-bebê.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para desproporção céfalo-pélvica (DCP)?

Os principais fatores de risco para DCP incluem primiparidade, idade materna avançada, diabetes gestacional (pelo risco de macrossomia fetal), obesidade materna, bacia materna desfavorável e apresentação fetal anômala.

Como o partograma auxilia na identificação da distocia de progressão?

O partograma é uma ferramenta gráfica que registra a evolução do trabalho de parto. A distocia de progressão é identificada quando a curva de dilatação cervical ou de descida da apresentação fetal se desvia da linha de alerta ou ação, indicando um trabalho de parto prolongado ou estacionário.

Quais são as recomendações da OMS 2018 sobre a condução do trabalho de parto?

As diretrizes da OMS 2018 enfatizam a individualização do cuidado, o respeito ao tempo fisiológico do trabalho de parto, a redução de intervenções desnecessárias e o uso do partograma como ferramenta de monitoramento. No entanto, reconhecem a cesariana como uma intervenção vital quando há indicações claras, como a falha de progressão por DCP.

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