UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015
Camila, 15 anos, primigesta, com 39 semanas, com diabetes gestacional, altura uterina de 40 cm, com utrassonografia mostrando feto de 4100 g, chega ao pronto-socorro em trabalho de parto com 3 contrações em 10 minutos de forte intensidade, bolsa rota, apresentação cefálica no plano I de Hodge, 4 cm de dilatação, bossa 2+/4+. Assinale a alternativa CORRETA.
Macrossomia + apresentação alta + bossa = ↑ risco de desproporção céfalo-pélvica e distócia de ombro.
A presença de macrossomia fetal, diabetes gestacional, apresentação fetal alta (Plano I de Hodge) e bossa serossanguínea significativa são fortes indicativos de desproporção céfalo-pélvica, o que aumenta o risco de distócia de ombro e pode justificar a indicação de cesariana.
A desproporção céfalo-pélvica (DCP) e a distócia de ombro são complicações obstétricas sérias que podem levar a morbimortalidade materna e fetal. A DCP ocorre quando há uma incompatibilidade entre o tamanho da cabeça fetal e as dimensões da pelve materna, impedindo a progressão do parto vaginal. A distócia de ombro, por sua vez, é a falha na expulsão do ombro fetal após a saída da cabeça, sendo uma emergência obstétrica. Fatores de risco como macrossomia fetal (feto com peso estimado > 4000g), diabetes gestacional mal controlado, obesidade materna e trabalho de parto prolongado aumentam significativamente a chance dessas complicações. No caso apresentado, a paciente com diabetes gestacional e feto de 4100g já apresenta um risco elevado. A avaliação do trabalho de parto, incluindo a altura da apresentação fetal (Planos de Hodge) e a presença de bossa serossanguínea, é crucial para identificar precocemente indícios de DCP. Uma apresentação fetal que permanece alta (ex: Plano I de Hodge) e a formação de uma bossa 2+/4+ (edema no couro cabeludo devido à compressão) são sinais claros de que a cabeça fetal está encontrando dificuldade para se moldar e progredir pela pelve. Esses achados, em conjunto com os fatores de risco, devem alertar o obstetra para a possibilidade de DCP e a necessidade de reavaliar a via de parto, muitas vezes indicando uma cesariana para evitar complicações como a distócia de ombro, lesões do plexo braquial ou asfixia fetal.
Os principais fatores de risco incluem macrossomia fetal (peso > 4000g), diabetes gestacional, obesidade materna, multiparidade, trabalho de parto prolongado, uso de ocitocina e apresentação fetal alta ao início do trabalho de parto.
Uma apresentação fetal que permanece alta (ex: Plano I de Hodge) apesar de contrações efetivas, juntamente com a formação de uma bossa serossanguínea significativa (edema no couro cabeludo), sugere que a cabeça fetal está sofrendo compressão prolongada e não está conseguindo se adaptar ou progredir adequadamente pela pelve materna, indicando DCP.
As manobras iniciais para distócia de ombro incluem a Manobra de McRoberts (hiperflexão das coxas maternas sobre o abdome) e a pressão suprapúbica (Manobra de Mazzanti), que visam alterar o diâmetro pélvico e auxiliar na liberação do ombro anterior. Outras manobras podem ser tentadas se estas falharem.
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