CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
Ana é médica de uma UBS na zona sul de Manaus e tem o hábito de revisar periodicamente a farmacoterapia de seus pacientes com doenças crônicas, especialmente idosos e pessoas com multimorbidades. Durante a consulta de acompanhamento de um paciente de 74 anos em uso de sete medicamentos contínuos, ela avalia a possibilidade de desprescrição. Considerando as melhores evidências e recomendações sobre o tema, qual é a conduta mais adequada?
Polifarmácia → Revisão sistemática + Decisão compartilhada = Desprescrição segura e eficaz.
A desprescrição é um processo proativo de revisão da farmacoterapia para identificar medicamentos cujos riscos superam os benefícios, visando melhorar a qualidade de vida do idoso.
A polifarmácia em idosos está associada a um aumento significativo no risco de quedas, interações medicamentosas, hospitalizações e declínio cognitivo. A desprescrição surge como uma intervenção clínica essencial para mitigar a iatrogenia. Ela não deve ser vista apenas como a interrupção de um fármaco em face de um evento adverso, mas como uma estratégia preventiva e contínua de otimização terapêutica. Utilizar ferramentas como os Critérios de Beers ou o algoritmo de desprescrição ajuda o clínico a priorizar quais classes medicamentosas (como benzodiazepínicos, inibidores da bomba de prótons ou antipsicóticos) devem ser reduzidas ou eliminadas. O processo exige monitoramento rigoroso após a suspensão para garantir que a condição clínica permaneça estável, reforçando o papel da continuidade do cuidado na Medicina de Família e Comunidade.
A necessidade de desprescrição é identificada através de uma revisão sistemática da farmacoterapia, buscando medicamentos que não possuem mais uma indicação clínica clara, que apresentam riscos superiores aos benefícios potenciais (como os listados nos Critérios de Beers ou STOPP/START), ou que não se alinham aos objetivos de cuidado e expectativa de vida do paciente. A presença de polifarmácia (uso de 5 ou mais medicamentos) é um gatilho clássico para essa avaliação.
O médico da Atenção Primária à Saúde (APS) atua como o coordenador do cuidado. Embora a comunicação com o especialista seja recomendável, o médico da APS tem a responsabilidade de revisar o regime global do paciente. A conduta deve ser baseada em evidências atuais e na funcionalidade do paciente, discutindo abertamente com o indivíduo e, se necessário, contatando o especialista para alinhar a suspensão de fármacos que possam estar causando iatrogenia ou perda de qualidade de vida.
A decisão compartilhada é fundamental para o sucesso da desprescrição, pois garante a adesão e reduz a ansiedade do paciente quanto à suspensão de um tratamento. O médico deve explicar os motivos técnicos da suspensão, os riscos de manter o medicamento e os possíveis sintomas de abstinência ou retorno de sintomas, permitindo que o paciente expresse suas preferências e preocupações, construindo um plano de desmame monitorado e seguro.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo