Desprescrição na Polifarmácia: Otimizando a Terapêutica

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2019

Enunciado

A polifarmácia está sendo um dos grandes desafios para o Médico de Família e Comunidade (MFC) na Atenção Primária em Saúde (APS). É o caso da pessoa procedente de diversos especialistas focais que procura o MFC portando consigo várias prescrições de medicamentos. Quanto ao assunto, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A desprescrição é o processo de desconstrução da prescrição de fármacos por meio de uma revisão e análise feita pelo MFC, com modificação de dosagens, substituição ou eliminação de alguns medicamentos e/ou adição de outros.
  2. B) A necessidade de desprescrever medicamentos torna-se imperativa ultrapassando, se necessário, os ditames éticos e evidências científicas, sendo um “mal necessário.”
  3. C) Não se recomenda a desprescrição em pessoas com idade muito avançada, como idosos frágeis e pessoas com doenças em estágio terminal.
  4. D) Ao realizar a desprescrição, o MFC deve ater-se fundamentalmente ao binômio queixa-conduta, muitas vezes abrindo mão da visão integral e holística da pessoa, visão esta tão corriqueira no seu dia a dia.
  5. E) O processo de desprescrição deve começar logo com a retirada dos fármacos prescritos para doenças crônicas ainda ativas. Depois retiram-se os demais medicamentos.

Pérola Clínica

Desprescrição = processo sistemático de revisão e ajuste da farmacoterapia para otimizar benefícios e reduzir riscos, especialmente em polifarmácia.

Resumo-Chave

A desprescrição é um processo ativo e planejado de redução ou interrupção de medicamentos, supervisionado por um profissional de saúde, com o objetivo de gerenciar a polifarmácia e melhorar os resultados de saúde, reduzindo eventos adversos e otimizando a qualidade de vida do paciente.

Contexto Educacional

A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), é um fenômeno crescente, especialmente entre idosos e pacientes com múltiplas comorbidades. Representa um grande desafio na Atenção Primária em Saúde (APS), pois aumenta o risco de interações medicamentosas, eventos adversos, quedas, hospitalizações e piora da qualidade de vida. O Médico de Família e Comunidade (MFC) desempenha um papel central na gestão da polifarmácia, buscando otimizar a farmacoterapia. A desprescrição surge como uma estratégia fundamental para enfrentar a polifarmácia. É um processo sistemático e planejado de redução ou interrupção de medicamentos, realizado sob supervisão de um profissional de saúde, com o objetivo de gerenciar a polifarmácia e melhorar os resultados de saúde. Envolve a revisão crítica da lista de medicamentos, a identificação de fármacos potencialmente inapropriados ou desnecessários, a modificação de dosagens, a substituição ou eliminação de alguns medicamentos, e até a adição de outros, sempre visando o equilíbrio entre benefícios e riscos. Para residentes, a compreensão da desprescrição é crucial para uma prática clínica segura e centrada no paciente. Ela exige uma abordagem holística, considerando não apenas as doenças, mas também a funcionalidade, os valores e as preferências do paciente. A desprescrição não é um 'mal necessário', mas uma prática ética e baseada em evidências que visa melhorar a segurança e a qualidade de vida, especialmente em pacientes frágeis e em cuidados paliativos, onde a futilidade terapêutica pode ser um problema.

Perguntas Frequentes

O que é polifarmácia e por que é um desafio na APS?

Polifarmácia é o uso concomitante de múltiplos medicamentos, geralmente cinco ou mais. É um desafio na APS devido ao risco aumentado de interações medicamentosas, eventos adversos, não adesão ao tratamento e custos elevados, impactando a qualidade de vida dos pacientes, especialmente idosos.

Quais são os princípios da desprescrição de medicamentos?

Os princípios incluem a identificação de medicamentos potencialmente inapropriados, a avaliação dos riscos e benefícios de cada fármaco, a consideração das metas de cuidado do paciente, a comunicação clara com o paciente e seus cuidadores, e o monitoramento contínuo após a alteração da prescrição.

Em quais pacientes a desprescrição é mais indicada?

A desprescrição é particularmente indicada em idosos frágeis, pacientes com polifarmácia significativa, aqueles com múltiplos eventos adversos a medicamentos, indivíduos com doenças em estágio avançado ou terminal, e pacientes com baixa adesão devido à complexidade do regime terapêutico.

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