AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2018
“Em países mais ricos, o uso excessivo de medicamentos é a maior ameaça à saúde das populações mais idosas com morbidade crescente - provavelmente mais ameaçador do que as doenças para as quais os fármacos são prescritos. Além disso, consumo excessivo de medicamentos, em especial os preventivos, também é um poderoso gerador de desigualdades na saúde global, havendo muito mais recursos para o desenvolvimento e venda de medicamentos aos ricos e saudáveis do que aos pobres e doentes. Isso também representa uma ameaça à igualdade dentro dos países, pois a comorbidade e, assim, a vulnerabilidade aos efeitos prejudiciais da polifarmácia são mais comuns em grupos de menor poder socioeconômico. ” (MANGIN, D.; HEATH, I. Polifarmácia. In: GUSSO, G.; LOPES, J.M.C. (org). Tratado de medicina de família e comunidade: princípios, formação e prática. Porto Alegre: Artmed, 2012; página 198). Neste contexto, é importante a habilidade de desprescrição, visando à suspensão ativa de medicamentos desnecessários. Considerando as evidências para tal, assinale quais são as alternativas verdadeiras dentre as afirmações abaixo: I) A desprescrição de medicamentos em idosos frágeis está associada a melhora na qualidade de vida, porém também a aumento de mortalidade; II) São raros os efeitos adversos da suspensão do uso de diuréticos em pacientes idosos, exceto naqueles portadores de insuficiência cardíaca; III) A suspensão do uso de sedativos, antidepressivos, inibidores de colinesterase e antipsicóticos tende a reduzir o risco de quedas e melhorar a função cognitiva de pacientes idosos; IV) Dada a magnitude do benefício das estatinas na prevenção primária de doença cardiovascular, a desprescrição destas só deve ser proposta para pacientes que tenham sofrido reações adversas graves a medicamentos desta classe.
Desprescrição em idosos → Reduz polifarmácia, melhora QoL e função, mas exige cautela.
A desprescrição é uma prática essencial em idosos, especialmente frágeis e polimedicados, visando reduzir riscos de eventos adversos, quedas e melhorar a função cognitiva e qualidade de vida. No entanto, deve ser feita com avaliação individualizada e monitoramento cuidadoso.
A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, é um problema crescente na população idosa, especialmente em países com maior acesso a serviços de saúde. Essa prática, muitas vezes, leva ao uso de medicamentos inapropriados, aumentando o risco de interações medicamentosas, eventos adversos, quedas, hospitalizações e piora da qualidade de vida. Nesse contexto, a desprescrição – a suspensão ativa e planejada de medicamentos desnecessários ou prejudiciais – surge como uma estratégia fundamental na geriatria. A desprescrição deve ser realizada de forma individualizada, considerando a fragilidade do paciente, sua expectativa de vida, comorbidades, objetivos de cuidado e os potenciais benefícios e riscos de cada medicamento. Evidências mostram que a desprescrição de certas classes de medicamentos, como sedativos, antidepressivos e antipsicóticos, pode reduzir o risco de quedas e melhorar a função cognitiva em idosos, sem necessariamente aumentar a mortalidade. Pelo contrário, a melhora da qualidade de vida é um desfecho frequentemente observado. É importante ressaltar que a desprescrição de diuréticos em idosos, exceto naqueles com insuficiência cardíaca onde são essenciais, raramente causa efeitos adversos graves. Já as estatinas, embora benéficas na prevenção primária, podem ter seus riscos superando os benefícios em idosos muito frágeis ou com baixa expectativa de vida, justificando a desprescrição mesmo na ausência de reações adversas graves, após uma discussão cuidadosa com o paciente e sua família.
A desprescrição em idosos pode reduzir o risco de eventos adversos a medicamentos, diminuir o número de quedas, melhorar a função cognitiva, aliviar a carga de comprimidos e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida.
Classes como sedativos, benzodiazepínicos, antipsicóticos, inibidores de colinesterase (em certos contextos), e até mesmo estatinas em prevenção primária em idosos frágeis, são frequentemente avaliadas para desprescrição.
Não. Embora estatinas tenham benefícios na prevenção primária, em idosos muito frágeis, com baixa expectativa de vida ou que experimentam efeitos adversos significativos, a desprescrição pode ser considerada após avaliação individualizada dos riscos e benefícios.
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