Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2020
Mulher de 89 anos de idade, já acamada há 5 anos por doença de Alzheimer, apresenta hipertensão arterial e diabetes. Ao exame: REG, não contactuante, afebril, ACP normal com PA de 150/90 mmHg. Atualmente em uso de donepezil, anlodipina, atorvastatina, insulina NPH e tramadol para dor intercalado com dipirona. Qual destas drogas você suspenderia por não haver benefício para a paciente?
Idoso frágil/acamado: Reavaliar medicamentos para desprescrição, focando em benefício e qualidade de vida.
Em pacientes idosos, frágeis e acamados com doença avançada, a desprescrição é crucial. Medicamentos como donepezil (para Alzheimer avançado) e estatinas (para prevenção primária) frequentemente perdem seu benefício, enquanto aumentam o risco de eventos adversos e a carga medicamentosa, impactando negativamente a qualidade de vida.
A desprescrição em idosos é uma prática clínica fundamental, especialmente em pacientes com polifarmácia, fragilidade e doenças avançadas. O objetivo é otimizar a terapêutica, reduzir a carga medicamentosa, minimizar eventos adversos e melhorar a qualidade de vida, alinhando os tratamentos aos objetivos de cuidado do paciente. É uma área crítica para residentes de geriatria e clínica médica, dada a crescente população idosa e a complexidade de seus regimes medicamentosos. A avaliação de cada medicamento deve considerar a expectativa de vida do paciente, os objetivos de cuidado (curativo, paliativo, conforto), o tempo para o benefício esperado do fármaco e o risco de efeitos adversos. Medicamentos como donepezil, que atuam na cognição, podem não ter impacto significativo em estágios avançados de demência. Estatinas, para prevenção primária, exigem anos para demonstrar benefício, o que pode não ser relevante para pacientes com prognóstico limitado. A suspensão deve ser gradual e monitorada, sempre em discussão com o paciente e familiares. O manejo da polifarmácia e a desprescrição são componentes essenciais dos cuidados centrados no paciente idoso. A decisão de suspender um medicamento deve ser individualizada, baseada em evidências e na avaliação do risco-benefício, visando sempre o bem-estar e a dignidade do paciente. Ferramentas como os Critérios de Beers e STOPP/START podem auxiliar nessa tomada de decisão, mas o julgamento clínico é primordial.
Medicamentos com alto risco de efeitos adversos, aqueles sem benefício claro para a condição atual do paciente (ex: estatinas para prevenção primária em fase terminal), ou que visam metas de tratamento agressivas (ex: controle glicêmico rigoroso em idosos frágeis).
O donepezil, um inibidor da colinesterase, tem eficácia limitada ou ausente em estágios avançados da doença de Alzheimer, onde o benefício cognitivo é mínimo e os riscos de efeitos colaterais (náuseas, diarreia, bradicardia) podem superar os potenciais ganhos.
A atorvastatina, usada para prevenção cardiovascular, tem um benefício a longo prazo. Em idosos frágeis ou com expectativa de vida limitada, o benefício preventivo é reduzido, e os riscos (mialgia, interações medicamentosas) podem justificar a suspensão, especialmente se não houver indicação de prevenção secundária.
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