SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Marcela é a mais nova médica de família e comunidade do centro de saúde do bairro Solidão e aproveita o final de seu expediente para renovar receitas. Abre o prontuário do senhor Manoel Jorge, de 80 anos, que apresenta poucas consultas prévias registradas. Percebe que ele usa o posto de saúde principalmente para renovar suas receitas, pois prefere consultar com seu cardiologista do plano de saúde. Apresenta as seguintes comorbidades registradas na lista de problemas: hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo 2, insuficiência cardíaca congestiva com baixa fração de ejeção, infarto agudo do miocárdio prévio (há 3 anos), dispepsia, transtorno depressivo recorrente e insônia. Lista de medicamentos: hidroclorotiazida 25mg - 1 comprimido (cp) ao dia, losartana 50mg 1cp ao dia, carvedilol 12,5mg 1cp de 12/12h, furosemida 40mg 1cp pela manhã, metformina 500mg 3 cps ao dia, glibenclamida 5mg 1cp 3 vezes ao dia, insulina NPH 20 UI antes de dormir, clopidogrel 75mg 1cp/dia, ácido acetilsalicílico 100mg 1cp ao dia, rosuvastatina 20mg 1 cp à noite, pantoprazol 40mg 1 cápsula pela manhã, carbonato de cálcio + Colecalciferol 500 Mg + 200 UI 2 cps pela manhã e 1 cp à noite, desvenlafaxina 50mg 1cp por dia, clonazepam 2mg 1cp antes de dormir. Marcela agenda uma consulta com o paciente para construção de vínculo e avaliar a possibilidade de desprescrição de alguns medicamentos. Guiando-se pelos critérios modificados de Reeve e colaboradores, qual alternativa mais adequada em relação aos passos que Marcela deve seguir na desprescrição?
Desprescrição em idosos → iniciar com revisão completa de medicamentos, comorbidades, efeitos adversos e crenças do paciente.
Os critérios de Reeve e colaboradores para desprescrição enfatizam uma abordagem sistemática e centrada no paciente. O primeiro passo é uma revisão abrangente de todos os medicamentos, suas indicações, doses, duração, e potenciais efeitos adversos, correlacionando-os com as comorbidades e o estado clínico do paciente, além de considerar suas preferências e crenças.
A desprescrição é um processo complexo e essencial na geriatria, visando reduzir a polifarmácia e os riscos associados, como eventos adversos e interações medicamentosas. Os critérios de Reeve e colaboradores fornecem uma estrutura sistemática para guiar os profissionais de saúde nesse processo, priorizando a segurança e a qualidade de vida do paciente. A abordagem deve ser sempre individualizada e centrada no paciente, considerando suas comorbidades, prognóstico e preferências. O primeiro passo, conforme os critérios de Reeve, é uma revisão abrangente da lista de medicamentos, incluindo a história de uso, indicações, doses, duração e potenciais efeitos adversos. É crucial correlacionar cada medicamento com as comorbidades do paciente e avaliar se os objetivos terapêuticos estão sendo alcançados e se as comorbidades estão estáveis. Além disso, a avaliação das crenças e expectativas do paciente sobre seus medicamentos é um componente indispensável para estabelecer um vínculo e garantir a adesão ao plano de desprescrição. Após essa revisão inicial, os próximos passos incluem identificar medicamentos potencialmente inapropriados, avaliar os riscos e benefícios da descontinuação, priorizar os medicamentos a serem desprescritos, implementar um plano de retirada gradual e monitorar o paciente para quaisquer efeitos adversos ou recorrência de sintomas. A comunicação clara e o compartilhamento de decisões com o paciente e seus cuidadores são fundamentais em todas as etapas do processo.
Os critérios de Reeve enfatizam uma abordagem sistemática que inclui a revisão completa dos medicamentos, avaliação das indicações, riscos e benefícios, consideração das metas de cuidado do paciente e suas preferências, e um plano de retirada gradual e monitorada.
As crenças e valores do paciente sobre seus medicamentos são fundamentais para o sucesso da desprescrição. Ignorá-los pode levar à não adesão, ansiedade e perda de confiança na equipe de saúde, dificultando o processo.
A polifarmácia em idosos aumenta o risco de interações medicamentosas, eventos adversos, síndromes geriátricas (como quedas, delirium), hospitalizações, e menor adesão ao tratamento, impactando negativamente a qualidade de vida.
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