Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2023
Mulher de 89 anos de idade é internada após uma queda em casa, sem perda da consciência. Há histórico de hipertensão e cardiopatia isquêmica crônica, em uso de aspirina (75 mg/dia), anlodipino (5 mg/dia), atorvastatina (20 mg/dia), bisoprolol (5 mg/dia), furosemida (40 mg/dia) e lisinopril (5 mg/dia). Ela mora sozinha e se mobiliza com uma estrutura de duas rodas dentro de casa. Ao exame físico, pressão arterial deitada de 96 x 62 mmHg e 83 x 49 em ortostase; frequência cardíaca: 86 bpm; pulmonar normal; extremidades sem edema. Exames séricos: hemoglobina: 12,8 g/dL; sódio: 142 mEq/L; potássio: 4,4 mEq/L; ureia: 18 mg/dL; creatinina: 0,84 mg/dL; glicemia: 120 mg/dL. ECG: ritmo sinusal. Nessa paciente, o primeiro medicamento que deve ser descontinuado é
Idoso com hipotensão ortostática e polifarmácia → priorizar desprescrição de diuréticos/anti-hipertensivos.
Em idosos frágeis com hipotensão ortostática e histórico de quedas, medicamentos que afetam o volume intravascular ou a regulação da pressão arterial, como diuréticos e alguns anti-hipertensivos, devem ser os primeiros a serem revisados para desprescrição, visando reduzir o risco de novas quedas e eventos adversos. A furosemida, sendo um diurético potente, pode contribuir significativamente para a depleção volêmica e hipotensão.
A desprescrição em idosos é uma prática clínica fundamental, especialmente em pacientes com polifarmácia e fragilidade, como a paciente do caso. A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos (geralmente cinco ou mais), aumenta significativamente o risco de eventos adversos, interações medicamentosas, síndromes geriátricas (como quedas e delirium) e hospitalizações. A avaliação cuidadosa da necessidade e dos riscos de cada medicamento é essencial para otimizar o tratamento e melhorar a qualidade de vida do idoso. A hipotensão ortostática é uma síndrome geriátrica comum, caracterizada por uma queda significativa da pressão arterial ao se levantar, levando a tonturas, síncope e quedas. No caso apresentado, a paciente já tem histórico de queda e apresenta hipotensão ortostática evidente. Medicamentos como diuréticos (furosemida), betabloqueadores (bisoprolol), bloqueadores dos canais de cálcio (anlodipino) e inibidores da ECA (lisinopril) podem contribuir para essa condição, seja por depleção volêmica ou por alteração da regulação autonômica da pressão arterial. A furosemida, um diurético de alça, é um forte candidato à desprescrição inicial em pacientes com hipotensão ortostática e euvolemia ou depleção leve, pois sua ação diurética pode exacerbar a depleção volêmica e a queda pressórica. Antes de descontinuar, é crucial avaliar a indicação original do medicamento (ex: insuficiência cardíaca descompensada) e a possibilidade de substituição ou redução da dose. A desprescrição deve ser um processo gradual e compartilhado com o paciente e seus cuidadores, monitorando os sintomas e a pressão arterial.
Diuréticos (como furosemida), vasodilatadores (anlodipino), betabloqueadores e inibidores da ECA/BRA podem contribuir para hipotensão ortostática em idosos, especialmente em pacientes frágeis ou com depleção volêmica.
A desprescrição é crucial para reduzir o risco de eventos adversos, interações medicamentosas, melhorar a qualidade de vida e diminuir a carga de medicamentos em idosos com polifarmácia, especialmente na presença de fragilidade ou sintomas como quedas.
A hipotensão ortostática é diagnosticada pela queda da pressão arterial sistólica ≥ 20 mmHg ou diastólica ≥ 10 mmHg dentro de 3 minutos após a mudança da posição de deitada para em pé, devendo ser avaliada ativamente em idosos com quedas ou tontura.
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