CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
Mulher, 81 anos, hipertensa, com diabetes melito tipo 2, dislipidemia e histórico de demência tipo Alzheimer. Não apresenta complicações decorrentes de doenças crônicas. Vive com sua filha, que afere a sua pressão arterial (PA) (Média de 100/60 mmHg) e a glicemia capilar (com médias que não passam os 80 mg/dL) diariamente, sendo a última hemoglobina (Hb) glicada de 6,0%. Em uso contínuo farmacológico de sinvastatina 20 mg, insulina NPH à noite, trazodona 100 mg, a cada 12 horas, mirtazapina 15 mg, furosemida 40 mg pela manhã, Losartana 50 mg de 12 em 12 horas e diazepam 5 mg, à noite. Eventualmente, quando está agitada, a filha oferece 01 comprimido de Quetiapina 50 mg; isso acontece pelo menos 3 vezes na semana. Filha vem à consulta na ESF,solicitando renovação de receituário com os medicamentos listados. A história descrita acima revela caso de polifarmácia com indicação de desprescrição de alguns medicamentos como prevenção quaternária. Quanto às etapas para efetuar o processo de desprescrição, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta: A- Seguimento, apoio e documentação. B- Identificação dos medicamentos potencialmente inadequados. C- Obtenção da história completa dos medicamentos. D- Determinação dos fármacos a serem desprescritos e as prioridades. E- Planejamento e início.
Desprescrição em idosos → processo estruturado: história completa → identificar inadequados → priorizar → planejar → seguir.
A desprescrição é crucial na polifarmácia do idoso para prevenir eventos adversos e melhorar a qualidade de vida. Inicia-se com uma revisão abrangente da medicação para identificar aqueles com maior risco ou sem benefício claro, seguindo um plano de redução gradual.
A polifarmácia, definida como o uso de múltiplos medicamentos, é um desafio crescente na geriatria, especialmente em pacientes com comorbidades como a apresentada no caso. Ela está associada a um aumento significativo de eventos adversos, interações medicamentosas, síndromes geriátricas e piora da qualidade de vida, tornando a desprescrição uma ferramenta essencial na prevenção quaternária. O processo de desprescrição não é apenas a retirada de medicamentos, mas uma abordagem sistemática e centrada no paciente para identificar e descontinuar fármacos que podem estar causando mais danos do que benefícios. As etapas incluem a revisão completa da história medicamentosa, identificação de medicamentos potencialmente inadequados (usando ferramentas como os Critérios de Beers ou STOPP/START), priorização dos fármacos a serem desprescritos, planejamento da retirada gradual e um seguimento rigoroso para monitorar a resposta e ajustar o plano. Para residentes, compreender a desprescrição é fundamental para a prática clínica segura e eficaz com idosos. Não se trata de simplesmente 'tirar' remédios, mas de otimizar a terapia, reduzir a carga medicamentosa e melhorar os desfechos de saúde, sempre com o consentimento do paciente e/ou cuidadores e uma comunicação clara sobre os objetivos e riscos.
A polifarmácia em idosos aumenta o risco de interações medicamentosas, eventos adversos, quedas, hospitalizações e piora da função cognitiva, além de impactar a adesão ao tratamento.
O processo deve começar com a obtenção de uma história medicamentosa completa, seguida pela identificação de medicamentos potencialmente inadequados e a determinação das prioridades para desprescrição.
Prevenção quaternária visa evitar ou minimizar os danos da intervenção médica. A desprescrição é uma estratégia central, pois busca reduzir a iatrogenia associada ao uso excessivo ou inadequado de medicamentos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo