Desprescrição em Idosos: Otimizando a Farmacoterapia na Demência

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 92 anos, acamada há 6 anos por quadro demencial por doença de Alzheimer, é hipertensa e diabética. O exame físico revela a paciente com pobre contato com o meio, vigil, afebril, PA = 140 x 90, auscultas pulmonar e cardíaca normais. A paciente está medicada com donepezila, anlodipina, atorvastatina, insulina glargina e analgesia com tramadol, intercalado com dipirona. Assinale a alternativa que contém drogas que podem ser suspensas por não trazerem benefícios adicionais a essa paciente.

Alternativas

  1. A) Donepezila e anlodipina.
  2. B) Tramadol e anlodipina.
  3. C) Atorvastatina e insulina glargina.
  4. D) Donepezila e atorvastatina.

Pérola Clínica

Em idosos acamados com demência avançada, desprescrição de donepezila e estatinas é indicada por falta de benefício e risco de efeitos adversos.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos, acamados e com demência avançada, a desprescrição de medicamentos como donepezila (para Alzheimer) e estatinas (atorvastatina) é uma prática de otimização terapêutica. Os benefícios desses medicamentos são mínimos ou inexistentes nessa fase da vida, enquanto os riscos de efeitos adversos e interações medicamentosas persistem.

Contexto Educacional

A desprescrição é um componente crítico da gestão farmacoterapêutica em pacientes idosos, especialmente aqueles com múltiplas comorbidades, fragilidade e expectativa de vida limitada, como no caso de uma paciente acamada por doença de Alzheimer avançada. A polifarmácia, comum nessa população, aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e hospitalizações. A medicina baseada em evidências e a avaliação individualizada são fundamentais para identificar medicamentos que não trazem mais benefícios ou cujos riscos superam os potenciais ganhos. Neste cenário, a donepezila, um inibidor da colinesterase, é indicada para o tratamento sintomático da doença de Alzheimer leve a moderada, com o objetivo de retardar o declínio cognitivo. No entanto, em estágios avançados da doença, como em uma paciente acamada com demência grave, o benefício cognitivo é mínimo ou inexistente, e a manutenção da medicação pode expor a paciente a efeitos adversos desnecessários. Da mesma forma, a atorvastatina, uma estatina, é utilizada para prevenção de eventos cardiovasculares. Em pacientes muito idosos e frágeis, com doença de Alzheimer avançada e expectativa de vida reduzida, os benefícios de longo prazo da prevenção cardiovascular são questionáveis e frequentemente superados pelos riscos e pelo ônus da polifarmácia. A decisão de desprescrever deve ser cuidadosamente ponderada, considerando os objetivos de cuidado do paciente (que muitas vezes se voltam para o conforto e a qualidade de vida), a expectativa de vida, a carga de medicamentos e o potencial de efeitos adversos. Anlodipina (anti-hipertensivo), insulina glargina (para diabetes) e analgesia (tramadol, dipirona) são medicamentos que provavelmente ainda trazem benefícios significativos para o controle de sintomas e comorbidades, sendo a hipertensão e o diabetes condições que necessitam de manejo mesmo em idosos frágeis para evitar complicações agudas. A desprescrição é uma arte que exige julgamento clínico e comunicação com a família, visando sempre o melhor interesse do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais medicamentos devem ser considerados para desprescrição em idosos com demência avançada?

Medicamentos como inibidores da colinesterase (ex: donepezila) e estatinas (ex: atorvastatina) devem ser considerados para desprescrição em idosos acamados com demência avançada. Seus benefícios são limitados ou ausentes nessa fase, e os riscos superam os potenciais ganhos.

Por que a donepezila pode ser suspensa em pacientes com Alzheimer avançado e acamados?

A donepezila é indicada para doença de Alzheimer leve a moderada, com o objetivo de retardar a progressão dos sintomas cognitivos. Em estágios avançados, especialmente em pacientes acamados, seu benefício é mínimo ou nulo, e pode causar efeitos adversos gastrointestinais ou cardíacos.

Qual o racional para suspender atorvastatina em idosos muito frágeis?

As estatinas, como a atorvastatina, são usadas para prevenção primária e secundária de eventos cardiovasculares. Em idosos muito frágeis, com expectativa de vida limitada e múltiplas comorbidades, o benefício de longo prazo da prevenção cardiovascular é superado pelos riscos de miopatia, interações medicamentosas e o ônus da polifarmácia.

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