Desprescrição em Idosos com Demência: Otimizando a Terapêutica

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2024

Enunciado

Mulher de 93 anos de idade, doença de Alzheimer em fase grave (FAST 7b), em uso de donepezila, memantina, sertralina e olanzapina. Além de valsartana, anlodipina, hidroclorotiazida para hipertensão; metformina e glibenclamida para diabetes; sinvastatina para dislipidemia; glicosamina com condroitina em pó para osteoartrite; alendronato, cálcio e vitamina D para osteoporose; e paracetamol para dor. Ela começou a apresentar dificuldades para aceitar os medicamentos, ora recusando-os ora retendo-os na boca. Nesse caso, qual deve ser a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) amassar e dissolver todos os medicamentos de uso habitual nos alimentos e líquidos. 
  2. B) acrescentar um medicamento inibidor de bomba de prótons para proteção gástrica.
  3. C) otimizar a prescrição e avaliar a desprescrição dos medicamentos inapropriados. 
  4. D) introduzir sonda nasoenteral para garantir o fornecimento de todos os medicamentos.
  5. E) solicitar internação hospitalar para administração parenteral de medicações equivalentes e suplementação nutricional. 

Pérola Clínica

Idoso com polifarmácia e demência grave + dificuldade em aceitar meds → Otimizar prescrição e desprescrever inapropriados.

Resumo-Chave

Em idosos com demência grave e polifarmácia, a prioridade é a qualidade de vida e a segurança. A dificuldade em administrar medicamentos é um sinal para revisar a prescrição, descontinuando fármacos com benefício incerto ou alto risco de efeitos adversos, especialmente aqueles que não melhoram a qualidade de vida na fase avançada da doença.

Contexto Educacional

A polifarmácia e a prescrição de medicamentos inapropriados são desafios significativos na geriatria, especialmente em pacientes com demência avançada. A doença de Alzheimer em fase grave (FAST 7b) indica um estágio onde a expectativa de vida é limitada e o foco do cuidado se desloca da prevenção de doenças para o conforto e a qualidade de vida. O residente deve estar ciente da importância da revisão crítica da medicação nesses pacientes. A fisiopatologia do envelhecimento e da demência altera a farmacocinética e a farmacodinâmica dos medicamentos, aumentando a suscetibilidade a efeitos adversos. Além disso, muitos medicamentos prescritos para prevenção de doenças crônicas (ex: estatinas, alguns anti-hipertensivos, antidiabéticos) podem não oferecer benefícios significativos em fases avançadas da vida, enquanto aumentam o risco de eventos adversos e a carga de comprimidos. A dificuldade em aceitar medicamentos é um sinal claro de que a prescrição precisa ser reavaliada. A conduta mais adequada é a otimização da prescrição e a desprescrição de medicamentos inapropriados. Isso envolve uma análise cuidadosa de cada fármaco, considerando o benefício real, os riscos, as interações e o impacto na qualidade de vida do paciente. Ferramentas como os Critérios de Beers ou STOPP/START podem auxiliar nessa avaliação. O objetivo é reduzir a carga medicamentosa, minimizar efeitos adversos e focar em medicações que realmente contribuam para o conforto e bem-estar do paciente, evitando medidas invasivas como a sonda nasoenteral apenas para administração de medicamentos.

Perguntas Frequentes

Quais são os riscos da polifarmácia em idosos, especialmente com demência?

A polifarmácia em idosos aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos, quedas, hospitalizações, declínio cognitivo e piora da qualidade de vida. Em pacientes com demência, esses riscos são amplificados, e a adesão ao tratamento pode ser comprometida, levando a um ciclo vicioso de problemas.

Quais medicamentos são frequentemente considerados inapropriados para desprescrição em idosos com demência grave?

Medicamentos frequentemente considerados inapropriados para desprescrição em idosos com demência grave incluem estatinas (para prevenção primária), antidiabéticos orais com alvos glicêmicos muito rigorosos, alendronato (se expectativa de vida limitada), e alguns psicotrópicos com alto risco de efeitos colaterais, especialmente se não houver benefício claro para sintomas comportamentais.

Como a desprescrição pode melhorar a qualidade de vida de um idoso com demência avançada?

A desprescrição pode melhorar a qualidade de vida ao reduzir a carga de medicamentos, diminuir o risco de efeitos adversos (como sedação, confusão, quedas), simplificar a rotina de cuidados e, consequentemente, reduzir o estresse para o paciente e seus cuidadores. O foco passa a ser o conforto e o controle de sintomas, em vez da prevenção de doenças a longo prazo.

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