Desprescrição de Alendronato e Polifarmácia no Idoso

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2019

Enunciado

Sr. João, de 77 anos, consulta com seu médico de família e comunidade para fazer exames de rotina e renovar suas medicações em uso. Ele é hipertenso e está em uso de enalapril, hidroclorotiazida, carvedilol, sinvastatina, omeprazol e alendronato. Iniciou o uso dessas medicações há 10 anos, com exceção da sinvastatina e do carvedilol que iniciou após um Infarto Agudo do Miocárdio há 5 meses. Sua pressão tem ficado ao redor de 130/80mmHg, sente-se bem e conta que está fazendo caminhadas de 30 minutos ao dia após o IAM. Sobre o caso clínico relatado, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Deve realizar como rotina, o rastreamento para câncer de próstata, além da aferição da pressão arterial.
  2. B) Está em risco de polifarmácia e deve ter como prioridade a suspensão da sinvastatina, considerando o perigo de diabetes por esse fármaco.
  3. C) Deve realizar os exames de rotina, que incluem hemograma, sódio, potássio, T SH, creatinina, lipidograma, ultrassom de abdome e radiografia de tórax.
  4. D) O benefício do uso de omeprazol é superior ao risco, o que justifica sua prescrição com a finalidade de evitar dispepsia e hemorragia do trato gastrointestinal.
  5. E) Está indicado suspender o uso de alendronato devido ao uso por mais de 5 anos.

Pérola Clínica

Alendronato > 5 anos → considerar pausa terapêutica (drug holiday) para ↓ risco de fraturas atípicas.

Resumo-Chave

A desprescrição é um pilar da prevenção quaternária no idoso. O uso prolongado de bisfosfonatos (>5 anos) deve ser reavaliado devido ao risco de efeitos adversos raros, como fraturas atípicas e osteonecrose.

Contexto Educacional

O manejo do paciente idoso com múltiplas comorbidades exige um equilíbrio delicado entre a prevenção secundária (como o uso de estatinas e betabloqueadores pós-IAM) e a prevenção quaternária, que visa evitar o dano iatrogênico. A polifarmácia é um fator de risco independente para quedas, interações medicamentosas e hospitalizações. No caso do alendronato, a evidência sugere que a supressão prolongada da remodelação óssea pode levar ao acúmulo de microdanos, resultando em fraturas atípicas. Portanto, a estratégia de 'drug holiday' é uma prática recomendada para mitigar esses riscos sem comprometer significativamente a proteção contra fraturas osteoporóticas típicas.

Perguntas Frequentes

Quando considerar a suspensão do alendronato no idoso?

A suspensão ou 'drug holiday' deve ser considerada após 5 anos de uso oral (ou 3 anos intravenoso) em pacientes de baixo ou moderado risco de fratura. Em pacientes de alto risco, o uso pode ser estendido até 10 anos, mas a reavaliação periódica é mandatória. O objetivo é reduzir o risco de complicações raras, como fraturas subtrocantéricas atípicas e osteonecrose de mandíbula, uma vez que o efeito residual do fármaco no osso permanece por anos após a interrupção.

Quais os riscos do uso crônico de Omeprazol em idosos?

O uso prolongado de Inibidores de Bomba de Prótons (IBP) em idosos está associado a diversos riscos, incluindo má absorção de micronutrientes (vitamina B12, magnésio, cálcio), aumento do risco de infecções (como pneumonia e colite por Clostridioides difficile) e possível associação com demência e doença renal crônica. Segundo os Critérios de Beers, o uso deve ser limitado a 8 semanas, a menos que haja indicação clara como esôfago de Barrett ou necessidade de proteção gástrica por AINEs.

Como abordar o rastreamento de câncer de próstata em pacientes com 77 anos?

De acordo com as principais diretrizes (como a USPSTF), o rastreamento de câncer de próstata com PSA não é recomendado rotineiramente para homens acima de 70-75 anos ou com expectativa de vida inferior a 10 anos. O potencial de dano pelo sobrediagnóstico e sobretratamento (incontinência, disfunção erétil) geralmente supera os benefícios da detecção precoce nessa faixa etária, devendo a decisão ser compartilhada e individualizada.

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