Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Homem de 55 anos, obeso, com história de abuso de drogas e uso crônico de opioides para controle de do res osteomusculares, é internado pelo pronto-socorro com quadro de colecistite aguda e é submetido a cole- cistectomia por videolaparoscopia. No pós-operatório, paciente relata ter memórias de fatos que ocorreram no período intraoperatório, caracterizando um despertar intraoperatório.Sobre esse evento, é correto afirmar que
O despertar intraoperatório é um evento raro, mas devastador, com alto risco de sequelas psicológicas (TEPT). O relato do paciente deve ser sempre validado e acolhido com seriedade.
A consciência acidental durante a anestesia geral é um evento adverso grave, com incidência de 0.1-0.2%. Fatores de risco como uso crônico de opioides aumentam a tolerância aos anestésicos. As consequências podem ser severas, incluindo transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), ansiedade e pesadelos, exigindo uma abordagem empática e suporte psicológico.
O despertar intraoperatório, ou consciência acidental durante a anestesia geral, é a recordação explícita de eventos ocorridos durante um procedimento cirúrgico. Embora sua incidência seja baixa (cerca de 1-2 casos por 1000 anestesias), suas consequências para o paciente podem ser profundas e duradouras, configurando um evento adverso grave na prática anestésica. Diversos fatores de risco estão associados a este evento, incluindo cirurgias de alto risco (cardíaca, trauma, obstetrícia de emergência), instabilidade hemodinâmica que limita a administração de anestésicos, e fatores do paciente, como reserva fisiológica diminuída, ansiedade pré-operatória e, notavelmente, o uso crônico de substâncias que afetam o sistema nervoso central, como álcool, benzodiazepínicos e opioides. Esses pacientes desenvolvem tolerância, exigindo doses maiores de fármacos para manter a inconsciência. As sequelas psicológicas são a principal preocupação, podendo variar de ansiedade e distúrbios do sono a um quadro completo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Por isso, é imperativo que qualquer relato de despertar seja levado a sério. A abordagem deve incluir uma entrevista detalhada e empática, reconhecimento da experiência do paciente, explicação e oferta de suporte psicológico. A prevenção envolve avaliação pré-anestésica cuidadosa, uso de monitorização da profundidade anestésica (como o BIS) em casos selecionados e titulação criteriosa dos fármacos.
Os relatos variam desde sensações auditivas (ouvir conversas da equipe) até sensações táteis (sentir a manipulação cirúrgica) e dor. A paralisia muscular impede a comunicação, gerando pânico e angústia. Após o procedimento, os pacientes podem desenvolver ansiedade, pesadelos, flashbacks e TEPT.
A conduta deve ser empática e imediata. É preciso ouvir o relato detalhado do paciente, pedir desculpas pelo ocorrido, explicar as possíveis causas de forma honesta, documentar o evento no prontuário e, crucialmente, oferecer encaminhamento para avaliação e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.
O uso crônico de opioides induz tolerância farmacológica, o que significa que o paciente pode necessitar de doses maiores de agentes anestésicos (hipnóticos e opioides) para atingir e manter um plano anestésico adequado. Se essa necessidade não for reconhecida e ajustada, o paciente pode receber uma dose insuficiente, aumentando o risco de consciência.
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