Critérios Diagnósticos da Desnutrição Grave em Pediatria

IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2025

Enunciado

Durante atendimento ambulatorial pediátrico, uma criança de 2 anos é avaliada com suspeita de desnutrição proteico-calórica. No que se refere aos achados clínicos, laboratoriais e antropométricos que caracterizam a desnutrição grave nesta faixa etária, assinale a alternativa que apresenta corretamente os parâmetros diagnósticos:

Alternativas

  1. A) Índice peso/idade < percentil 3, edema bilateral não responsivo à suplementação de ferro, albumina sérica de 2,8 g/dL, lesões cutâneas hiperpigmentadas e perímetro braquial > 12,5 cm.
  2. B) Relação peso/altura < -2 escores Z, cabelos finos e quebradiços, proteínas totais de 5,0 g/dL, hepatomegalia moderada e ausência de tecido subcutâneo em região glútea.
  3. C) Índice peso/idade < percentil 10, edema unilateral de membros inferiores, pré-albumina de 15 mg/dL, dermatite seborreica difusa e preservação do tecido subcutâneo em face.
  4. D) Índice altura/idade < -2 escores Z, edema periorbital matutino, transferrina sérica de 150 mg/dL, apatia intermitente e preservação do panículo adiposo em membros superiores.
  5. E) Relação peso/altura < -3 escores Z, edema bilateral com cacifo, albumina sérica < 2,5 g/dL, lesões cutâneas hipocrômicas, despigmentação de cabelos e perímetro braquial < 11,5 cm.

Pérola Clínica

Peso/Altura < -3 DP ou Edema bilateral ou Perímetro Braquial < 11,5cm = Desnutrição Grave.

Resumo-Chave

A desnutrição grave é definida por critérios antropométricos (Escore Z < -3) ou clínicos (edema bilateral). O Kwashiorkor destaca-se pelo edema, hipoalbuminemia e lesões cutâneas.

Contexto Educacional

A desnutrição grave permanece um desafio de saúde pública e exige manejo protocolar rigoroso para evitar a síndrome de realimentação e mortalidade. A distinção entre Marasmo (deficiência global de calorias, aspecto emaciado, 'fácies simiesca') e Kwashiorkor (deficiência proteica predominante, edema, hepatomegalia por esteatose e lesões de pele) é fundamental. A alternativa E consolida os achados do Kwashiorkor: relação peso/altura muito baixa (ou mascarada pelo edema), edema bilateral (critério diagnóstico independente), hipoalbuminemia severa, alterações de fâneros e perímetro braquial reduzido. O tratamento deve seguir as fases de estabilização (tratar infecção, eletrólitos e hipoglicemia), transição e reabilitação nutricional.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios da OMS para desnutrição grave?

Segundo a OMS, a desnutrição grave em crianças de 6 a 59 meses é definida pela presença de pelo menos um dos seguintes: 1. Relação Peso/Estatura (ou Peso/Altura) abaixo de -3 desvios-padrão (escore Z); 2. Presença de edema bilateral de origem nutricional (edema com cacifo); 3. Perímetro braquial (MUAC) menor que 11,5 cm.

Qual a diferença laboratorial entre Kwashiorkor e Marasmo?

No Kwashiorkor (desnutrição edematosa), há uma queda acentuada nas proteínas viscerais, especialmente a albumina sérica (frequentemente < 2,5 g/dL), devido à deficiência proteica relativa. No Marasmo, os níveis de albumina podem estar normais ou levemente reduzidos, pois a adaptação metabólica prioriza a manutenção das proteínas viscerais às custas da massa muscular e gordura.

Quais as alterações de pele e cabelo na desnutrição grave?

No Kwashiorkor, são comuns as lesões cutâneas hipocrômicas ou hiperpigmentadas (dermatose em 'pintura craquelada'), além de alterações no cabelo, que se torna fino, quebradiço e pode apresentar o 'sinal da bandeira' (faixas de despigmentação intercaladas com pigmentação normal, refletindo períodos de maior ou menor aporte proteico).

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