Desnutrição Infantil: Avaliação e Conduta Ambulatorial

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2022

Enunciado

Uma menina de 1 ano e 10 meses de idade é atendida no ambulatório. Foi adotada recentemente, e seu histórico médico é desconhecido. A mãe refere que a filha é muito “magrinha”, embora coma muito bem. Ao exame: estado geral bom, pálida +/4, ativa. Peso = 8,3 kg (peso entre o z-score -2 e -3). Est=77 cm (comprimento entre z-score -2 e -3). Fígado a 2 cm do rebordo costal direito. Qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Por meio da análise do IMC, ela tem magreza acentuada e, por isso, deve ser internada para estabilização nutricional.
  2. B) Apesar da estatura adequada para idade, como tem muito baixo peso para idade e hepatomegalia, deve ser internada para avaliação inicial e solicitação de exames.
  3. C) A criança tem magreza, devendo se prescrever antibioticoterapia devido ao risco de infecção nos desnutridos.
  4. D) Apesar de a criança ter baixo peso para idade, pode ser investigada e acompanhada ambulatorialmente.
  5. E) A criança tem baixa estatura para idade e peso adequado para idade, com indicação de acompanhamento ambulatorial.

Pérola Clínica

Criança com baixo peso/estatura z-score -2 a -3, bom estado geral, sem sinais de gravidade → investigação ambulatorial.

Resumo-Chave

Embora a criança apresente baixo peso e baixa estatura (z-score entre -2 e -3), o bom estado geral e a ausência de sinais de desnutrição grave ou complicações agudas permitem uma abordagem investigativa e acompanhamento ambulatorial. A hepatomegalia leve pode ser um achado inespecífico ou indicar alguma condição crônica a ser investigada.

Contexto Educacional

A desnutrição infantil, caracterizada por baixo peso para idade, baixa estatura para idade ou baixo peso para estatura, é um problema de saúde pública global. A avaliação antropométrica utilizando z-scores é fundamental para classificar a gravidade e orientar a conduta. Em crianças com baixo peso ou baixa estatura moderada (z-score entre -2 e -3), a ausência de sinais de gravidade ou complicações agudas permite uma abordagem ambulatorial. O diagnóstico da desnutrição envolve uma anamnese detalhada, incluindo histórico alimentar, social e de saúde, além de um exame físico completo. A presença de hepatomegalia leve, como no caso, pode ser inespecífica ou indicar condições crônicas que necessitam de investigação, mas não necessariamente de internação imediata se o estado geral for bom. A investigação ambulatorial deve buscar causas subjacentes, como deficiências nutricionais, doenças crônicas ou síndromes de má absorção. O tratamento da desnutrição moderada é geralmente ambulatorial, com foco na otimização da dieta, suplementação de micronutrientes (ferro, vitamina A, zinco) e acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento. A educação dos pais sobre alimentação adequada e higiene é crucial. A internação é reservada para casos de desnutrição grave ou com complicações que exijam manejo hospitalar.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para internação de uma criança com desnutrição?

A internação é indicada para desnutrição grave (z-score < -3), presença de complicações (infecções graves, desidratação, choque), falha terapêutica ambulatorial ou sinais de alerta como letargia e recusa alimentar.

Como interpretar os z-scores antropométricos em pediatria?

Z-scores entre -2 e -3 indicam baixo peso/estatura moderada. Abaixo de -3, indicam desnutrição grave. Valores entre +2 e +3 indicam sobrepeso/obesidade.

Quais exames complementares solicitar na investigação ambulatorial de baixo peso e baixa estatura?

Exames iniciais podem incluir hemograma completo, ferritina, parasitológico de fezes, função tireoidiana, eletrólitos, função renal e hepática, além de triagem para doença celíaca, conforme a suspeita clínica.

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