FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2021
Lactente de 15 meses, foi encaminhado para internação devido a broncopneumonia. Após anamnese e exame clínico foram prescritos hidratação venosa, eletrólitos e penicilina. Exames laboratoriais: anemia importante, função hepática e renal normais. O diagnóstico nutricional, de acordo com as novas curvas de referência (OMS, 2006) foi definido como magreza acentuada pelo índice de massa corpórea e pelo indicador peso para estatura e, muito baixa estatura e muito baixo peso para a idade. A terapia nutricional para este paciente NÃO deve incluir nas primeiras 48h:
Desnutrição grave: NÃO iniciar ferro nas primeiras 48h (fase de estabilização) devido ao risco de piorar infecção e estresse oxidativo.
Na fase inicial (primeiras 48h) do tratamento da desnutrição grave, o sulfato ferroso não deve ser incluído. A administração precoce de ferro pode agravar infecções e aumentar o estresse oxidativo em um organismo já debilitado. A suplementação de ferro é iniciada apenas na fase de recuperação, após a estabilização clínica do paciente.
A desnutrição grave em lactentes e crianças é uma condição de alta morbimortalidade, exigindo uma abordagem terapêutica cuidadosa e faseada. As novas curvas de referência da OMS (2006) são cruciais para o diagnóstico nutricional preciso. O manejo da desnutrição grave é dividido em fases: estabilização, transição e reabilitação, cada uma com objetivos e condutas específicas para evitar complicações como a síndrome de realimentação. A fase de estabilização, que compreende as primeiras 24-48 horas, é crítica e foca na correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos, tratamento de infecções, hipotermia e hipoglicemia. A realimentação deve ser iniciada de forma lenta e gradual, com fórmulas de baixa osmolaridade e lactose, para evitar a síndrome de realimentação, que pode ser fatal. Durante esta fase, a suplementação de potássio, zinco, ácido fólico e megadose de vitamina A é recomendada. Contrariamente, a administração de sulfato ferroso é contraindicada nas primeiras 48 horas. O ferro livre pode atuar como um prooxidante e substrato para o crescimento bacteriano, agravando infecções e o estresse oxidativo em um paciente já imunocomprometido. A suplementação de ferro é introduzida apenas na fase de recuperação, quando o paciente está clinicamente estável e em processo de ganho de peso. O manejo adequado da desnutrição grave requer uma equipe multidisciplinar e atenção rigorosa aos protocolos para garantir a recuperação e reduzir a mortalidade.
O sulfato ferroso não deve ser administrado nas primeiras 48 horas (fase de estabilização) do tratamento da desnutrição grave porque o ferro livre pode atuar como um substrato para o crescimento bacteriano, agravando infecções, e aumentar o estresse oxidativo em um organismo já comprometido. A suplementação de ferro é iniciada apenas na fase de recuperação, quando o paciente está clinicamente estável.
Os principais objetivos da fase de estabilização são corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, tratar infecções, hipotermia e hipoglicemia, e iniciar a realimentação cautelosa para evitar a síndrome de realimentação. O foco é na estabilização clínica e não na recuperação nutricional rápida.
Na fase inicial, são importantes micronutrientes como potássio, zinco, cobre, ácido fólico e vitaminas lipossolúveis (incluindo megadose de vitamina A). O zinco é crucial para a recuperação do apetite e função imune, e o potássio é vital para corrigir distúrbios eletrolíticos comuns na síndrome de realimentação.
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