UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022
Criança de 5 anos de idade, pesando 8 kg e com estatura de 100 cm (ambos com Z escore <-3), foi admitida em um hospital pediátrico para tratamento da desnutrição grave de causa primária. Ao exame físico, criança emagrecida, com edema em pés, hipoativa, com cabelos finos e quebradiços, eupneica e hipotérmica. Nesse contexto, é correto afirmar que:
Desnutrição grave com edema (Kwashiorkor) → Risco alto de hipoglicemia e hipotermia na fase de estabilização.
Na desnutrição grave, especialmente com edema, a hipoglicemia é uma complicação comum e potencialmente fatal. A fase de estabilização prioriza a correção de distúrbios hidroeletrolíticos, hipoglicemia, hipotermia e infecções, antes da introdução de dietas hiperproteicas/hipercalóricas.
A desnutrição grave em crianças, especialmente o Kwashiorkor (com edema), é uma condição de alta mortalidade que exige manejo cuidadoso e protocolar. Caracteriza-se por um Z-escore de peso para altura ou peso para idade abaixo de -3 desvios padrão, ou presença de edema nutricional. A identificação precoce e o tratamento adequado são cruciais para a sobrevivência e recuperação da criança. A fisiopatologia da desnutrição grave envolve deficiências energéticas e proteicas, levando a alterações metabólicas, imunológicas e hidroeletrolíticas. O diagnóstico é clínico e antropométrico. A suspeita deve surgir em crianças com baixo peso, edema, sinais de deficiência vitamínica e mineral, e histórico de ingestão alimentar inadequada. O tratamento é dividido em fases: estabilização, reabilitação e acompanhamento. Na fase de estabilização, as prioridades são corrigir hipoglicemia, hipotermia, desidratação, distúrbios eletrolíticos e infecções. A dieta é introduzida gradualmente, com fórmulas de baixa osmolaridade e densidade calórica, para evitar a síndrome de realimentação. A suplementação de vitaminas e minerais é iniciada após a estabilização inicial, e o ferro é postergado para a fase de reabilitação.
Sinais incluem baixo peso para idade/altura (Z-escore <-3), edema nutricional (Kwashiorkor), emagrecimento extremo (Marasmo), hipotonia, cabelos finos e quebradiços, e hipoatividade.
Se a glicemia capilar estiver abaixo de 54 mg/dL, deve-se administrar glicose oral ou intravenosa, dependendo do nível de consciência e da gravidade, para evitar danos neurológicos.
A introdução precoce de dieta hiperproteica e hipercalórica pode desencadiar a síndrome de realimentação, com distúrbios eletrolíticos graves e piora do estado clínico. A fase inicial foca na estabilização.
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