Desnutrição Grave Pediátrica: Manejo da Hipoglicemia

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Criança de 5 anos de idade, pesando 8 kg e com estatura de 100 cm (ambos com Z escore <-3), foi admitida em um hospital pediátrico para tratamento da desnutrição grave de causa primária. Ao exame físico, criança emagrecida, com edema em pés, hipoativa, com cabelos finos e quebradiços, eupneica e hipotérmica. Nesse contexto, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) deve ser iniciada dieta hiperproteica e hipercalórica devido quadro de desnutrição grave desde a fase de estabilização.
  2. B) ^caso a glicemia capilar esteja abaixo de 54 mg/dL o paciente deve receber tratamento para hipoglicemia.
  3. C) devem ser solicitados exames para triagem infecciosa e, caso seja confirmada infecção, iniciar antibioticoterapia.
  4. D) a suplementação de vitaminas, sais minerais e ferro fazem parte do tratamento desde a fase de estabilização.
  5. E) em caso de diarreia com desidratação grave, o paciente deve receber expansão volêmica com 20 ml/kg de solução glicofisiológica. 

Pérola Clínica

Desnutrição grave com edema (Kwashiorkor) → Risco alto de hipoglicemia e hipotermia na fase de estabilização.

Resumo-Chave

Na desnutrição grave, especialmente com edema, a hipoglicemia é uma complicação comum e potencialmente fatal. A fase de estabilização prioriza a correção de distúrbios hidroeletrolíticos, hipoglicemia, hipotermia e infecções, antes da introdução de dietas hiperproteicas/hipercalóricas.

Contexto Educacional

A desnutrição grave em crianças, especialmente o Kwashiorkor (com edema), é uma condição de alta mortalidade que exige manejo cuidadoso e protocolar. Caracteriza-se por um Z-escore de peso para altura ou peso para idade abaixo de -3 desvios padrão, ou presença de edema nutricional. A identificação precoce e o tratamento adequado são cruciais para a sobrevivência e recuperação da criança. A fisiopatologia da desnutrição grave envolve deficiências energéticas e proteicas, levando a alterações metabólicas, imunológicas e hidroeletrolíticas. O diagnóstico é clínico e antropométrico. A suspeita deve surgir em crianças com baixo peso, edema, sinais de deficiência vitamínica e mineral, e histórico de ingestão alimentar inadequada. O tratamento é dividido em fases: estabilização, reabilitação e acompanhamento. Na fase de estabilização, as prioridades são corrigir hipoglicemia, hipotermia, desidratação, distúrbios eletrolíticos e infecções. A dieta é introduzida gradualmente, com fórmulas de baixa osmolaridade e densidade calórica, para evitar a síndrome de realimentação. A suplementação de vitaminas e minerais é iniciada após a estabilização inicial, e o ferro é postergado para a fase de reabilitação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desnutrição grave em crianças?

Sinais incluem baixo peso para idade/altura (Z-escore <-3), edema nutricional (Kwashiorkor), emagrecimento extremo (Marasmo), hipotonia, cabelos finos e quebradiços, e hipoatividade.

Qual a conduta inicial para hipoglicemia em criança com desnutrição grave?

Se a glicemia capilar estiver abaixo de 54 mg/dL, deve-se administrar glicose oral ou intravenosa, dependendo do nível de consciência e da gravidade, para evitar danos neurológicos.

Por que a dieta hiperproteica e hipercalórica não é a primeira conduta na desnutrição grave?

A introdução precoce de dieta hiperproteica e hipercalórica pode desencadiar a síndrome de realimentação, com distúrbios eletrolíticos graves e piora do estado clínico. A fase inicial foca na estabilização.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo