Desnutrição Grave Pediátrica: Manejo Nutricional Inicial

Unioeste/HUOP - Hospital Universitário do Oeste do Paraná - Cascavel (PR) — Prova 2015

Enunciado

Lactente de 15 meses foi encaminhado para internação devido à broncopneumonia. Após anamnese e exame físico foram prescritos hidratação venosa, eletrólitos e penicilina. Exames laboratoriais: anemia importante, função hepática e renal normais. O diagnóstico nutricional de acordo com as novas curvas de referência (OMS, 2006) foi definido como magreza acentuada pelo índice de massa corpórea e pelo indicador peso para estatura, muito baixa estatura e muito baixo peso para idade. A terapia nutricional dessa criança NÃO deve incluir ___________nas primeiras 48 horas.

Alternativas

  1. A) potássio.
  2. B) ácido fólico.
  3. C) sulfato ferroso. 
  4. D) sulfato de zinco.
  5. E) megadose de vitamina A.

Pérola Clínica

Desnutrição grave (magreza acentuada) → Evitar sulfato ferroso nas primeiras 48h devido ao risco de estresse oxidativo e piora da infecção.

Resumo-Chave

Em crianças com desnutrição grave, a reposição de sulfato ferroso nas primeiras 48 horas é contraindicada. Isso se deve ao risco de exacerbar o estresse oxidativo, aumentar a suscetibilidade a infecções e agravar a síndrome de realimentação, que é uma complicação potencialmente fatal.

Contexto Educacional

A desnutrição grave em lactentes, como a magreza acentuada descrita, é uma condição clínica séria que exige um manejo nutricional cuidadoso e gradual. A presença de broncopneumonia agrava o quadro, tornando a estabilização clínica prioritária antes da reintrodução de nutrientes de forma agressiva. Um dos pontos críticos no manejo da desnutrição grave é a prevenção da síndrome de realimentação, uma complicação potencialmente fatal que ocorre quando a alimentação é reintroduzida rapidamente após um período de inanição. Essa síndrome é caracterizada por distúrbios hidroeletrolíticos graves, especialmente hipofosfatemia, hipocalemia e hipomagnesemia, que podem levar a arritmias cardíacas, insuficiência respiratória e disfunção neurológica. No contexto da desnutrição grave, a suplementação de sulfato ferroso nas primeiras 48 horas é contraindicada. O ferro livre pode atuar como um pró-oxidante, aumentando o estresse oxidativo e a peroxidação lipídica, o que é prejudicial em um organismo já debilitado. Além disso, o ferro é um nutriente essencial para o crescimento bacteriano, e sua oferta precoce pode exacerbar infecções. A suplementação de ferro deve ser postergada para a fase de recuperação, após a estabilização clínica e o início da recuperação nutricional, geralmente após a primeira semana de tratamento, quando outros micronutrientes como potássio, ácido fólico e zinco já foram repostos.

Perguntas Frequentes

Por que o sulfato ferroso não deve ser administrado nas primeiras 48 horas em crianças com desnutrição grave?

O sulfato ferroso não deve ser administrado precocemente em desnutridos graves devido ao risco de exacerbar o estresse oxidativo, aumentar a proliferação bacteriana (muitas bactérias utilizam ferro) e agravar a síndrome de realimentação, que pode levar a disfunção orgânica.

Quais são os principais riscos da síndrome de realimentação?

A síndrome de realimentação pode causar distúrbios eletrolíticos graves (hipofosfatemia, hipocalemia, hipomagnesemia), retenção hídrica, arritmias cardíacas, insuficiência respiratória e até morte, se não for prevenida e manejada adequadamente.

Quando a suplementação de ferro deve ser iniciada em crianças desnutridas?

A suplementação de ferro deve ser iniciada apenas na fase de recuperação nutricional, após a estabilização clínica do paciente, a resolução de infecções agudas e o início da recuperação do peso, geralmente após a primeira semana de tratamento.

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