Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020
A desnutrição energético-protéica ainda é frequentemente encontrada no nosso país, principalmente no nosso estado, logo marque a alternativa CORRETA sobre essa patologia:
Desidratação em desnutridos graves é difícil de avaliar; FC e débito urinário são cruciais.
A avaliação da desidratação em crianças com desnutrição grave é desafiadora devido à perda de tecido subcutâneo (marasmo) ou edema (kwashiorkor), que mascaram os sinais clássicos. Nesses casos, a frequência cardíaca, o débito urinário e o tempo de enchimento capilar tornam-se indicadores mais confiáveis.
A desnutrição energético-proteica (DEP) continua sendo um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com vulnerabilidade social. Ela se manifesta em diversas formas clínicas, sendo as mais conhecidas o marasmo (deficiência calórica e proteica grave, com perda acentuada de massa muscular e gordura subcutânea) e o kwashiorkor (deficiência proteica predominante, com edema, alterações de pele e cabelo, e hepatomegalia). O manejo adequado da DEP grave é complexo e exige uma abordagem faseada para evitar complicações. A avaliação inicial de um paciente com DEP grave deve focar na identificação e tratamento de condições de risco de vida, como hipoglicemia, hipotermia, infecções e desidratação. A desidratação é particularmente difícil de avaliar devido às alterações corporais da desnutrição, exigindo atenção a sinais como frequência cardíaca, débito urinário e tempo de enchimento capilar. A terapia nutricional deve ser iniciada com cautela para prevenir a síndrome de realimentação, começando com dietas hipocalóricas e hipoproteicas, e progressivamente aumentando a oferta. A reposição de micronutrientes é fundamental, mas alguns, como o ferro, são postergados para a fase de recuperação para evitar exacerbação de infecções. O tratamento de infecções subjacentes e a correção de distúrbios eletrolíticos são passos cruciais na fase de estabilização. O objetivo final é a recuperação nutricional completa e a prevenção de recaídas, com educação familiar e acompanhamento contínuo.
A escassez de tecido celular subcutâneo no marasmo ou a presença de edema no kwashiorkor mascaram os sinais clássicos de desidratação, tornando difícil a avaliação da turgência da pele e mucosas.
A frequência cardíaca, o débito urinário, o tempo de enchimento capilar e o estado de consciência são parâmetros mais fidedignos para monitorar o estado de hidratação nesses pacientes.
A reposição de ferro é geralmente postergada para a fase de recuperação, após a estabilização do paciente e tratamento de infecções, pois o ferro livre pode favorecer o crescimento bacteriano e aumentar o estresse oxidativo na fase aguda.
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