Desnutrição Grave: Avaliação da Desidratação e Manejo

Fundhacre - Fundação Hospital Estadual do Acre — Prova 2020

Enunciado

A desnutrição energético-protéica ainda é frequentemente encontrada no nosso país, principalmente no nosso estado, logo marque a alternativa CORRETA sobre essa patologia:

Alternativas

  1. A) A forma clínica Marasmo tem como característica alterações na pele, alterações no cabelo, hepatomegalia e face de lua cheia
  2. B) A terapia nutricional inicial para o tratamento dos desnutridos graves deve ser hipercalórica e hiperprotéica na primeira semana de tratamento
  3. C) Os sinais de desidratação na criança desnutrida são mais difíceis de ser avaliados pela escassez de tecido celular subcutâneo, sendo sinais clínicos como frequência cardíaca, débito urinário muito importantes
  4. D) A reposição de ferro e de zinco deve ser realizadas na fase de estabilização junto ao tratamento de infecções e correção dos distúrbios metabólicos

Pérola Clínica

Desidratação em desnutridos graves é difícil de avaliar; FC e débito urinário são cruciais.

Resumo-Chave

A avaliação da desidratação em crianças com desnutrição grave é desafiadora devido à perda de tecido subcutâneo (marasmo) ou edema (kwashiorkor), que mascaram os sinais clássicos. Nesses casos, a frequência cardíaca, o débito urinário e o tempo de enchimento capilar tornam-se indicadores mais confiáveis.

Contexto Educacional

A desnutrição energético-proteica (DEP) continua sendo um grave problema de saúde pública, especialmente em regiões com vulnerabilidade social. Ela se manifesta em diversas formas clínicas, sendo as mais conhecidas o marasmo (deficiência calórica e proteica grave, com perda acentuada de massa muscular e gordura subcutânea) e o kwashiorkor (deficiência proteica predominante, com edema, alterações de pele e cabelo, e hepatomegalia). O manejo adequado da DEP grave é complexo e exige uma abordagem faseada para evitar complicações. A avaliação inicial de um paciente com DEP grave deve focar na identificação e tratamento de condições de risco de vida, como hipoglicemia, hipotermia, infecções e desidratação. A desidratação é particularmente difícil de avaliar devido às alterações corporais da desnutrição, exigindo atenção a sinais como frequência cardíaca, débito urinário e tempo de enchimento capilar. A terapia nutricional deve ser iniciada com cautela para prevenir a síndrome de realimentação, começando com dietas hipocalóricas e hipoproteicas, e progressivamente aumentando a oferta. A reposição de micronutrientes é fundamental, mas alguns, como o ferro, são postergados para a fase de recuperação para evitar exacerbação de infecções. O tratamento de infecções subjacentes e a correção de distúrbios eletrolíticos são passos cruciais na fase de estabilização. O objetivo final é a recuperação nutricional completa e a prevenção de recaídas, com educação familiar e acompanhamento contínuo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais desafios na avaliação da desidratação em crianças desnutridas?

A escassez de tecido celular subcutâneo no marasmo ou a presença de edema no kwashiorkor mascaram os sinais clássicos de desidratação, tornando difícil a avaliação da turgência da pele e mucosas.

Quais indicadores são mais confiáveis para avaliar a desidratação em crianças com desnutrição grave?

A frequência cardíaca, o débito urinário, o tempo de enchimento capilar e o estado de consciência são parâmetros mais fidedignos para monitorar o estado de hidratação nesses pacientes.

Por que a reposição de ferro é postergada no tratamento da desnutrição grave?

A reposição de ferro é geralmente postergada para a fase de recuperação, após a estabilização do paciente e tratamento de infecções, pois o ferro livre pode favorecer o crescimento bacteriano e aumentar o estresse oxidativo na fase aguda.

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