SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Menina, dezoito meses de idade, é encaminhada à UBS por Agente Comunitária de Saúde, após verificar a Caderneta de Saúde da Criança. A evolução do peso da menor é a seguinte:• nasceu com peso maior ou igual a Escore z -2 e menor que Escore z +2;• entre os 4 e 8 meses de idade o peso estava maior ou igual a Escore z -3 e menor que Escore z -2;• a partir dos 9 meses o peso tem seguido regularmente a posição menor que Escore z -3.A mãe informa amamentação exclusiva ao seio até os 3 meses de idade, passando a aleitamento misto, com leite em pó integral e, por vezes, mucilagem. Outros alimentos foram oferecidos a partir dos 5 meses, quando apresentou diarreia, sendo internada por 6 dias. Atualmente, toma café com leite e biscoitos ou pão pela manhã; suco ou fruta no lanche da manhã e no da tarde; almoça e janta a mesma refeição da família (feijão, arroz, farinha ou macarrão) e toma leite quando vai dormir.Ao exame: criança ativa, com aspecto emagrecido, dados vitais sem alteração; eupneica, afebril, com mucosas úmidas, descoradas ++/IV; extremidades oxigenadas. Anda sem apoio; fala poucas palavras soltas. Não há edemas. Abdome globoso, timpânico, com fígado palpável a 1 cm do rebordo costal direito, borda romba, superfície lisa, indolor à palpação.Na avaliação dessa criança, indique o exame laboratorial imprescindível:
Criança com desnutrição crônica, palidez e dieta inadequada → investigar anemia ferropriva com hemograma completo e ferritina.
A história de perda de peso progressiva, dieta inadequada e palidez ++/IV em uma criança de 18 meses sugere fortemente desnutrição crônica e anemia ferropriva. O hemograma completo, com avaliação de VCM e HCM, e a dosagem de ferritina sérica são exames imprescindíveis para confirmar e quantificar a anemia e o estado de ferro.
A desnutrição crônica infantil é um problema de saúde pública, caracterizado por um déficit prolongado de nutrientes que afeta o crescimento e o desenvolvimento da criança. No caso apresentado, a queda progressiva do escore Z de peso indica uma desnutrição que se agravou ao longo do tempo, associada a uma alimentação complementar inadequada e episódios de diarreia, que comprometem a absorção de nutrientes. O diagnóstico da desnutrição crônica é feito pela avaliação antropométrica, utilizando as curvas de crescimento da OMS (escores Z de peso para idade, altura para idade e peso para altura). A história alimentar detalhada é crucial para identificar deficiências. Os sinais clínicos como emagrecimento, palidez e atraso no desenvolvimento neuropsicomotor (anda sem apoio, fala poucas palavras) reforçam o quadro. A hepatomegalia pode ser um achado em desnutrição grave. Diante de um quadro de desnutrição crônica e palidez ++/IV, o exame laboratorial imprescindível é o hemograma completo, que provavelmente revelará anemia microcítica e hipocrômica, sugestiva de deficiência de ferro. A dosagem de ferritina sérica é fundamental para confirmar a depleção dos estoques de ferro. O tratamento envolve a correção da dieta, suplementação de micronutrientes (principalmente ferro e vitaminas) e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento.
Os principais indicadores incluem o atraso no crescimento linear (altura para idade), baixo peso para idade e baixo peso para altura. A avaliação da curva de crescimento na caderneta de saúde é fundamental para monitorar a evolução pondero-estatural ao longo do tempo.
A anemia ferropriva é comum devido à ingestão inadequada de ferro na dieta, especialmente após os 6 meses de idade, quando as reservas de ferro do nascimento se esgotam e a alimentação complementar é introduzida de forma deficiente. O ferro é crucial para o desenvolvimento cognitivo e motor.
Um hemograma completo é essencial para avaliar a presença e o tipo de anemia (microcítica, hipocrômica). A dosagem de ferritina sérica é o melhor indicador dos estoques de ferro. Outros exames podem incluir proteínas totais e albumina, e vitaminas específicas se houver outras deficiências suspeitas.
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