Desnutrição Crônica na Infância: Diagnóstico e Manejo

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026

Enunciado

Um menino de 1 ano e 8 meses nascido a termo, com peso ao nascer de 3.150g e comprimento de 49 cm, sem intercorrências, é levado à consulta de puericultura. Foi amamentado exclusivamente ao seio até os 6 meses e desde então recebe alimentação complementar, porém com baixa aceitação de carnes, feijão e vegetais, preferindo massas e leite. A mãe relata que a criança "sempre foi pequena" em relação aos primos da mesma idade, mas apresenta desenvolvimento motor e da linguagem adequados. Não há história de vômitos frequentes, diarreia crônica ou infecções de repetição. Ao exame físico, criança ativa, com bom vínculo com a mãe, pele e mucosas discretamente pálidas, sem lesões e ausência de edemas. Peso: 9,5 kg. Estatura: 80 cm IMC: 14,8 kg/m² e abaixo do percentil 3 nos gráficos peso/idade e estatura/idade; IMC/idade, dentro da normalidade. Segundo as curvas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as recomendações do Ministério da Saúde, qual o diagnóstico nutricional e a conduta mais adequada para essa criança?

Alternativas

  1. A) Baixo peso para idade com desnutrição aguda grave; indicação imediata de internação hospitalar.
  2. B) Déficit estatural (baixa estatura para idade) compatível com desnutrição crônica; orientação alimentar, acompanhamento ambulatorial e reforço de alimentos ricos em ferro e proteínas.
  3. C) Sobrepeso; orientação para restrição alimentar e incentivo à atividade física.
  4. D) Obesidade; encaminhar para endocrinologista pediátrico e iniciar dieta hipocalórica.
  5. E) Crescimento normal; apenas manter acompanhamento de rotina, sem intervenções.

Pérola Clínica

Peso/Idade ↓ + Estatura/Idade ↓ + IMC/Idade normal = Desnutrição Crônica (Stunting).

Resumo-Chave

O déficit de estatura com IMC preservado indica uma adaptação do organismo a uma carência nutricional prolongada, caracterizando a desnutrição crônica ou pregressa.

Contexto Educacional

A avaliação do crescimento é o melhor indicador de saúde e bem-estar da criança. O diagnóstico de baixa estatura para a idade (E/I < percentil 3 ou escore-z < -2) em uma criança com IMC normal reflete um processo de adaptação biológica a condições adversas prolongadas. No caso clínico, a dieta monótona (preferência por massas e leite em detrimento de carnes e vegetais) e a palidez cutânea sugerem deficiência de ferro, comum nessa faixa etária. O manejo deve focar na educação alimentar, garantindo a oferta de proteínas de alto valor biológico e ferro heme, além da suplementação profilática ou terapêutica conforme protocolos do Ministério da Saúde. O acompanhamento ambulatorial rigoroso é essencial para monitorar a recuperação do canal de crescimento e prevenir danos cognitivos permanentes.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar desnutrição aguda de crônica?

A desnutrição aguda (emaciação ou wasting) é caracterizada por um baixo peso para a estatura ou baixo IMC para a idade; a criança perde peso rapidamente, mas ainda não teve tempo de afetar o crescimento linear. Já a desnutrição crônica (nanismo nutricional ou stunting) manifesta-se por baixa estatura para a idade, com IMC geralmente normal, indicando que a privação nutricional foi prolongada o suficiente para comprometer o potencial de crescimento.

Qual a importância do IMC/Idade normal neste caso?

Um IMC para a idade dentro da normalidade (entre o escore-z -2 e +2) em uma criança com baixa estatura indica que ela é proporcional para sua altura atual. Isso sugere que não há um processo de perda de peso ativo (desnutrição aguda), mas sim que o crescimento parou ou desacelerou no passado devido a fatores crônicos, como dieta pobre em micronutrientes ou infecções recorrentes.

Quais as principais causas de desnutrição crônica no Brasil?

Atualmente, a desnutrição crônica está menos ligada à falta de calorias totais e mais relacionada à 'fome oculta' (deficiência de micronutrientes como ferro, zinco e vitamina A) e ao consumo excessivo de alimentos ultraprocessados de baixa densidade nutricional. Fatores socioeconômicos, saneamento básico precário e desmame precoce também desempenham papéis fundamentais na gênese do déficit estatural.

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