Desnutrição Grave: Manejo Nutricional e Suplementação de Ferro

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024

Enunciado

Lactente de 15 meses, foi encaminhado para internação devido a broncopneumonia. Realizado anamnese e exame clínico e prescritos: hidratação venosa, eletrólitos e penicilina. Exames laboratoriais: anemia importante, função hepática e renal normais. O diagnóstico nutricional, de acordo com as novas curvas de referência (OMS, 2007) foi definido como magreza acentuada pelo índice de massa corpórea e pelo indicador peso para estatura e, muito baixa estatura e muito baixo peso para a idade. A terapia nutricional para este paciente NÃO deve incluir nas primeiras 48h:

Alternativas

  1. A) Sulfato ferroso.
  2. B) Ácido fólico.
  3. C) Sulfato de zinco.
  4. D) Vitamina A.

Pérola Clínica

Desnutrição grave (fase de estabilização) → NÃO iniciar ferro nas primeiras 48h (risco de piora infecciosa e toxicidade).

Resumo-Chave

Em pacientes com desnutrição grave, especialmente na fase inicial de estabilização (primeiras 24-48h), a suplementação de ferro é contraindicada. O ferro pode agravar infecções existentes (favorecendo o crescimento bacteriano) e aumentar o estresse oxidativo, além de haver risco de toxicidade em um organismo já debilitado. A suplementação de ferro deve ser iniciada apenas após a estabilização clínica e tratamento das infecções.

Contexto Educacional

A desnutrição aguda grave (DAG) é uma condição pediátrica séria, caracterizada por magreza acentuada, baixo peso para a idade e/ou baixa estatura para a idade, conforme as curvas de crescimento da OMS (2007). Pacientes com DAG frequentemente apresentam complicações como infecções (broncopneumonia, como no caso), anemia e distúrbios hidroeletrolíticos, exigindo um manejo nutricional cuidadoso e faseado. A terapia nutricional para desnutrição grave é dividida em fases: estabilização, transição e reabilitação. A fase de estabilização, que dura aproximadamente 24-48 horas, é crítica e foca na correção de condições de risco de vida, como hipoglicemia, hipotermia, desidratação e infecções. A realimentação deve ser lenta e gradual para evitar a síndrome de realimentação, uma complicação potencialmente fatal. Durante a fase de estabilização, a suplementação de micronutrientes é essencial, mas o ferro é uma exceção. O sulfato ferroso é contraindicado nas primeiras 48 horas (e geralmente até que o paciente esteja clinicamente estável e as infecções controladas) porque o ferro livre pode atuar como um nutriente para bactérias, agravando infecções, e aumentar o estresse oxidativo em um organismo já vulnerável. Outros micronutrientes, como vitamina A, ácido fólico e sulfato de zinco, são importantes e devem ser administrados desde o início. A anemia, embora presente, é frequentemente multifatorial e sua correção com ferro é postergada para a fase de reabilitação, quando o paciente está mais estável e o risco de complicações é menor.

Perguntas Frequentes

Por que o sulfato ferroso não deve ser administrado nas primeiras 48h de tratamento da desnutrição grave?

Nas primeiras 48 horas (fase de estabilização) do tratamento da desnutrição grave, o ferro é contraindicado porque pode agravar infecções, promover o crescimento bacteriano e aumentar o estresse oxidativo. O ferro deve ser introduzido apenas na fase de reabilitação, após a estabilização clínica e controle das infecções.

Quais são os princípios da terapia nutricional na fase de estabilização da desnutrição grave?

A fase de estabilização foca na correção de desequilíbrios hidroeletrolíticos, tratamento de infecções, hipotermia e hipoglicemia. A realimentação é lenta e gradual, com fórmulas de baixa osmolaridade e densidade calórica, ricas em potássio e magnésio, mas sem ferro.

Quais micronutrientes são recomendados na fase inicial da desnutrição grave?

Na fase inicial, são recomendados micronutrientes como vitamina A (dose única), ácido fólico, zinco, cobre e outras vitaminas do complexo B. O zinco é particularmente importante para a recuperação da função imune e crescimento.

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