Desleucotização de Hemocomponentes: Indicações e Benefícios

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Na prática hemoterápica moderna, alguns procedimentos são utilizados visando à maior segurança dos pacientes transfundidos. A desleucotização ou filtração de hemocomponente é um procedimento realizado para prevenções de complicações relacionadas à transfusão de hemocomponentes alogênicos devido à exposição do receptor aos leucócitos do doador. Dentre as condições clínicas abaixo, assinale aquela em que não se indica a filtração ou desleucotização:

Alternativas

  1. A) Policitemia vera.
  2. B) Leucemia mieloide aguda.
  3. C) Candidatos a transplante de medula óssea.
  4. D) Anemia aplástica.
  5. E) Beta talassemia major (anemia de Cooley).

Pérola Clínica

Desleucotização é indicada para prevenir aloimunização, reações febris e transmissão CMV, exceto em condições como policitemia vera.

Resumo-Chave

A desleucotização de hemocomponentes remove leucócitos residuais, prevenindo complicações como aloimunização HLA, reações febris não hemolíticas e transmissão de CMV. Não é indicada rotineiramente em policitemia vera, onde o principal manejo é a flebotomia terapêutica e a transfusão é menos frequente e geralmente não requer essa medida preventiva específica.

Contexto Educacional

A desleucotização de hemocomponentes é um procedimento fundamental na hemoterapia moderna, visando aumentar a segurança transfusional. Consiste na remoção de leucócitos residuais do sangue total ou de seus componentes, como concentrados de hemácias e plaquetas, através de filtros específicos. Este processo é crucial para minimizar uma série de complicações relacionadas à presença de leucócitos do doador no receptor. As principais indicações para a desleucotização incluem pacientes com histórico de reações transfusionais febris não hemolíticas, pacientes que necessitam de transfusões crônicas (como na beta talassemia major e anemia aplástica), candidatos a transplante de medula óssea, pacientes imunocomprometidos e para a prevenção da transmissão de citomegalovírus (CMV) em receptores soronegativos ou imunocomprometidos. A presença de leucócitos pode levar à aloimunização contra antígenos HLA, o que dificulta futuras transfusões e transplantes, além de desencadear reações febris e, em casos raros, a doença do enxerto contra o hospedeiro. A policitemia vera, uma neoplasia mieloproliferativa crônica caracterizada pela produção excessiva de eritrócitos, não é uma indicação rotineira para a desleucotização. O tratamento primário da policitemia vera envolve flebotomias terapêuticas para reduzir a massa eritrocitária e a viscosidade sanguínea. Transfusões são menos frequentes e geralmente não se enquadram nas categorias de alto risco que justificam a desleucotização, tornando a alternativa A a correta para a questão.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações para a desleucotização de hemocomponentes?

As principais indicações incluem pacientes com histórico de reações febris não hemolíticas, candidatos a transplante de medula óssea, pacientes imunocomprometidos, receptores de transfusões crônicas e prevenção da transmissão de CMV.

Por que a policitemia vera não é uma indicação para desleucotização?

Na policitemia vera, o tratamento primário é a flebotomia para reduzir a massa eritrocitária. Transfusões são menos comuns e, quando necessárias, a desleucotização não é uma indicação rotineira, pois os riscos associados aos leucócitos do doador não são uma preocupação primária nesta condição.

Quais complicações a desleucotização visa prevenir?

A desleucotização visa prevenir a aloimunização contra antígenos HLA, reações transfusionais febris não hemolíticas, a transmissão de citomegalovírus (CMV) e, em alguns casos, a doença do enxerto contra o hospedeiro associada à transfusão.

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