UFF/HUAP - Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói (RJ) — Prova 2020
Menina, quatro anos, é levada à Emergência pelos pais com quadro de vômitos (duas vezes), febre (38°C) e diarreia aquosa (seis vezes), iniciado há 24 horas. Recusa alimentar, diurese diminuída e de cor amarela escura. Irmão com quadro semelhante, porém sem vômitos. Ao exame: estado geral regular, hipocorada (+/4+), mucosas secas, taquipneica (FR = 40irpm), taquicárdica (FC = 125bpm), sem rigidez de nuca, enchimento capilar de quatro segundos. Ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Abdome depressível, difusamente doloroso, mas sem sinais de irritação peritoneal. Peristalse aumentada, sem massas ou visceromegalias. Sobre a conduta terapêutica relacionada ao caso acima, indique a alternativa correta.
Criança com desidratação moderada/grave e vômitos → SRO por SNG ou hidratação venosa.
Em crianças com desidratação significativa e dificuldade de tolerar SRO por via oral devido a vômitos ou recusa, a administração de SRO por sonda nasogástrica ou a hidratação venosa são condutas essenciais para restaurar o volume intravascular e corrigir os distúrbios hidroeletrolíticos, prevenindo o agravamento do quadro.
A desidratação é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, especialmente em países em desenvolvimento, sendo frequentemente associada a quadros de diarreia aguda. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação e a instituição de uma terapia de reidratação adequada são cruciais para o prognóstico. A avaliação do estado de hidratação baseia-se em parâmetros clínicos como nível de consciência, turgor da pele, aspecto das mucosas, olhos, choro, diurese e enchimento capilar. A fisiopatologia da desidratação na diarreia envolve a perda excessiva de água e eletrólitos, levando à hipovolemia e distúrbios hidroeletrolíticos e acidobásicos. O diagnóstico é clínico, e a suspeita deve ser alta em crianças com diarreia e vômitos. A gravidade da desidratação determina a via e o tipo de reidratação. O tratamento visa repor as perdas e manter a hidratação. A terapia de reidratação oral (SRO) é a primeira escolha, mas em casos de desidratação moderada a grave com vômitos persistentes ou recusa alimentar, a SRO por sonda nasogástrica ou a hidratação venosa tornam-se essenciais. A escolha da via e do volume deve seguir as diretrizes da OMS e ser individualizada, garantindo a correção rápida da hipovolemia e dos desequilíbrios eletrolíticos para evitar complicações graves como o choque.
Os sinais incluem mucosas secas, olhos encovados, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega), taquicardia, taquipneia, enchimento capilar prolongado (>3 segundos), diurese diminuída e letargia ou irritabilidade.
A hidratação venosa é indicada em casos de choque hipovolêmico, desidratação grave, vômitos incoercíveis, distensão abdominal com íleo paralítico ou falha na terapia de reidratação oral/sonda nasogástrica.
A taxa recomendada para SRO por sonda nasogástrica em crianças com desidratação moderada a grave é de 15 a 30 mL/kg/hora, ajustada conforme a tolerância e a resposta clínica do paciente.
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