Desidratação em Crianças: Avaliação e Manejo (Plano B)

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma criança de três anos de idade foi atendida no pronto‑socorro, com quadro de diarreia (cerca de quatro episódios de fezes amolecidas por dia) há dois dias. Hoje, iniciou‑se, associado à diarreia, o quadro de vômitos (cerca de três episódios até o momento). Ao se avaliar a criança, ela apresentava‑se irritada, com olhos fundos. Por outro lado, aceitou bem ingerir água e estava com o pulso presente e cheio. Mucosa oral seca e sinal da prega um pouco lentificado. Com base nessa situação hipotética, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) Não há sinais de desidratação, é necessário prescrever solução de reidratação para casa, seguindo todos os passos do plano A de tratamento.
  2. B) há sinais de desidratação grave. É necessário, então, fazer reposição volêmica por via endovenosa. Deve‑se seguir o plano C de tratamento.
  3. C) o uso de medicações antieméticas está contraindicado para essa faixa etária.
  4. D) há sinais de desidratação. Logo, pode‑se prescrever uma solução de hidratação oral e zinco, além de orientar sobre os sinais de alarme para mãe e encaminhar para casa.
  5. E) há sinais de desidratação e, por isso, é necessário tentar fazer solução de reidratação oral e manter a criança em observação para avaliar a resposta, seguindo o plano B de tratamento.

Pérola Clínica

Criança irritada, olhos fundos, mucosa seca, prega lentificada, aceita água → Desidratação (Plano B) = SRO + observação.

Resumo-Chave

A avaliação da desidratação em crianças baseia-se em sinais clínicos específicos. A presença de irritabilidade, olhos fundos, mucosa seca e prega cutânea lentificada, mas com a criança ainda aceitando líquidos, indica desidratação moderada (Plano B), que deve ser tratada com SRO sob observação.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos, e a desidratação é sua complicação mais grave. A avaliação rápida e precisa do grau de desidratação é fundamental para instituir o tratamento adequado e salvar vidas. Residentes e profissionais de saúde devem dominar os critérios de classificação da desidratação e os planos de tratamento preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. A classificação da desidratação baseia-se em sinais clínicos como estado geral, olhos, lágrimas, boca e língua, sede e elasticidade da pele. Uma criança irritada, com olhos fundos, mucosa oral seca e sinal da prega lentificado, mas que ainda aceita líquidos, apresenta desidratação moderada, enquadrando-se no Plano B. É crucial diferenciar esses sinais dos de desidratação grave, que incluem letargia, incapacidade de beber e choque. O tratamento da desidratação moderada (Plano B) consiste na administração de solução de reidratação oral (SRO) na unidade de saúde, sob supervisão, até que os sinais de desidratação desapareçam. A criança deve ser reavaliada periodicamente para garantir a melhora e evitar a progressão para desidratação grave. A suplementação com zinco também é recomendada para reduzir a duração e a gravidade dos episódios diarreicos subsequentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação moderada (Plano B) em crianças?

Os sinais incluem irritabilidade ou apatia, olhos fundos, boca e língua secas, sede aumentada (criança bebe avidamente) e sinal da prega cutânea lentificado.

Qual a conduta inicial para uma criança com desidratação moderada?

A conduta inicial é seguir o Plano B de tratamento, que consiste em oferecer solução de reidratação oral (SRO) em pequenas e frequentes quantidades, sob observação na unidade de saúde, para reavaliar a resposta.

Quando a hidratação endovenosa é indicada para desidratação em crianças?

A hidratação endovenosa é indicada em casos de desidratação grave (Plano C), quando a criança está letárgica, inconsciente, não consegue beber ou tem sinais de choque, como pulsos débeis e enchimento capilar prolongado.

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