Desidratação Pediátrica Grave: Expansão Volêmica e Reavaliação

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Uma criança de 2 anos chega para internar na enfermaria com história de febre, vômitos e várias evacuações diarreicas há 3 dias, com redução de diurese. Está em bom regular estado geral, pálida, afebril, hidratação limítrofe, leve taquipnéia, com FC 140, PA 85x60, tempo de enchimento capilar de 3-4 segundos em repouso, ausculta respiratória normal, sem tiragens, abdome pouco distendido e timpânico, mas com DB negativa e indolor. Chega com acesso venoso periférico, com o gotejamento de soro fisiológico finalizando no equipo de macrogotas. Assinale a alternativa mais coerente com o caso.

Alternativas

  1. A) Um tempo de enchimento capilar de mais de 5 segundos pode ser sinal de desidratação; entretanto, a temperatura ambiente e a temperatura corpórea (febre) poderiam criar dificuldades na avaliação deste parâmetro.
  2. B) Quanto menor a criança, maior a chance dela desidratar diante de uma diarreia, mas o fato de ter a vacina Rotavírus em dia garante proteção contra morbi-moralidade pelo agente.
  3. C) Soro de manutenção tem como finalidade ajustar o estado de hidratação do organismo, bem como repor as perdas decorrentes da diarreia e vômitos, impedindo que ocorra desidratação grave.
  4. D) Soro fisiológico é utilizada para corrigir a hipovolemia do paciente, sendo obrigatória a reavaliação após término de cada expansão para decidir se a expansão deve ser repetida.

Pérola Clínica

Desidratação grave/choque pediátrico → Expansão volêmica com SF 0,9% + reavaliação contínua após cada bolus.

Resumo-Chave

Em crianças com sinais de desidratação grave ou choque hipovolêmico (TEC > 3s, taquicardia, hipotensão), o soro fisiológico 0,9% é a solução de escolha para expansão volêmica. A reavaliação clínica após cada bolus (geralmente 10-20 mL/kg) é fundamental para guiar a necessidade de repetição da expansão e evitar sobrecarga hídrica.

Contexto Educacional

A desidratação grave é uma complicação comum e potencialmente fatal da diarreia e vômitos em crianças, especialmente em menores de 5 anos. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação e choque hipovolêmico é fundamental para um manejo adequado. Sinais como tempo de enchimento capilar prolongado (TEC > 3 segundos), taquicardia, hipotensão e alteração do estado de consciência indicam a necessidade de intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a perda excessiva de água e eletrólitos, levando à redução do volume intravascular e comprometimento da perfusão tecidual. A conduta inicial para corrigir a hipovolemia é a expansão volêmica com fluidos intravenosos. O soro fisiológico 0,9% é a solução de escolha para essa finalidade, administrado em bolus de 10-20 mL/kg. Um ponto crítico no manejo é a reavaliação contínua do paciente após cada bolus de fluido. Essa reavaliação permite monitorar a resposta clínica (melhora do TEC, FC, PA, diurese, nível de consciência) e decidir se mais bolus são necessários ou se a criança pode passar para a fase de manutenção ou reidratação oral. A não reavaliação pode levar à sub-hidratação persistente ou, inversamente, à sobrecarga volêmica, com risco de complicações como edema pulmonar.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação grave em crianças?

Sinais de desidratação grave incluem letargia, olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, prega cutânea persistente, tempo de enchimento capilar prolongado (>3 segundos), taquicardia e hipotensão.

Qual o volume e tipo de fluido recomendado para expansão volêmica inicial em choque hipovolêmico pediátrico?

O soro fisiológico 0,9% (ou Ringer Lactato) é recomendado em bolus de 10-20 mL/kg, administrado rapidamente (15-20 minutos), com reavaliação após cada bolus.

Por que a reavaliação contínua é crucial durante a expansão volêmica em crianças?

A reavaliação contínua permite monitorar a resposta do paciente à fluidoterapia, identificar sinais de melhora ou piora, e ajustar a conduta para evitar tanto a sub-hidratação quanto a sobrecarga volêmica, que pode levar a edema pulmonar.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo