Desidratação Pediátrica: Classificação e Plano B de Manejo

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Menina de 5 anos de idade, 20kg de peso, chega ao pronto-socorro acompanhada de sua mãe, que conta que há 4 dias a criança se queixa de cefaleia, dor abdominal e diarreia. Nega antecedentes pessoais, febre e sintomas respiratórios, alergias. Relata que hoje a menina urinou pouco. Ao exame clínico, a paciente: apresenta irritabilidade, referindo sede, olhos fundos, mucosas secas. Frequência cardíaca de 126 batimentos/minuto, pulso central cheio, periférico fraco e desaparecimento lento da prega de pele. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria e com o Ministério da Saúde, a classificação do grau de desidratação e a conduta a ser adotada, neste caso, são respectivamente:

Alternativas

  1. A) Desidratação grave. Iniciar expansão endovenosa com soro fisiológico, 30mL/kg em 30 minutos. Realizar fase de manutenção por 24 horas, com criança internada.
  2. B) Desidratação. Iniciar solução de reidratação oral de 50 a 100 mL/kg no período de 4 a 6 horas, permanecendo na unidade de saúde até reidratação completa.
  3. C) Desidratação. Iniciar expansão endovenosa com 20 mL/kg de ringer lactato em 30 minutos. Realizar fase de manutenção por 24 horas, com criança internada.
  4. D) Desidratação leve. Iniciar expansão endovenosa com soro fisiológico, com 30mL/kg em 30 minutos. Realizar fase de manutenção por 24 horas, com criança internada.

Pérola Clínica

Desidratação sem choque → Plano B (SRO 50-100 mL/kg em 4-6h na unidade de saúde).

Resumo-Chave

A classificação da desidratação baseia-se em sinais clínicos. O Plano B é indicado para crianças com sinais de desidratação que não apresentam choque circulatório, priorizando a via oral.

Contexto Educacional

A desidratação secundária a quadros de diarreia aguda e vômitos continua sendo uma causa importante de morbidade pediátrica. O manejo é padronizado mundialmente pela Terapia de Reidratação Oral (TRO), que utiliza o transporte acoplado de sódio e glicose no enterócito para promover a absorção de água. O Plano B é o estágio intermediário de tratamento, realizado obrigatoriamente em ambiente de saúde para garantir a adesão e monitorar a evolução. O caso clínico destaca a importância de diferenciar a desidratação clínica do choque hipovolêmico. Embora a paciente tenha pulso periférico fraco e oligúria, o pulso central cheio e a irritabilidade (em vez de letargia) apontam para uma desidratação que ainda não atingiu o estágio de falência circulatória descompensada. A conduta correta preserva a via fisiológica, reduz complicações de acessos venosos e permite a educação materna sobre sinais de perigo antes da alta.

Perguntas Frequentes

Quais sinais clínicos definem a desidratação (Plano B)?

De acordo com o Ministério da Saúde e a SBP, a criança é classificada com 'Desidratação' (antigo grau moderado) quando apresenta dois ou mais dos seguintes sinais: irritabilidade/inquietude, olhos fundos, sede intensa (bebe avidamente) e sinal da prega que desaparece lentamente (menos de 2 segundos). No caso clínico, a menina apresenta irritabilidade, sede, olhos fundos, mucosas secas e desaparecimento lento da prega, preenchendo claramente os critérios. A ausência de sinais de choque (como pulso central débil, tempo de enchimento capilar > 3s ou letargia profunda) exclui a desidratação grave (Plano C), mantendo a conduta no Plano B.

Como é executado o Plano B de reidratação?

O Plano B consiste na administração de Solução de Reidratação Oral (SRO) na unidade de saúde, sob supervisão médica ou de enfermagem. A dose recomendada é de 50 a 100 mL/kg, a ser administrada em um período de 4 a 6 horas. A oferta deve ser feita em pequenas quantidades e frequentemente (colher ou copo). Durante este período, a criança deve ser reavaliada continuamente. Se os sinais de desidratação desaparecerem, a criança passa para o Plano A (domiciliar). Se a desidratação persistir, continua-se o Plano B. Se houver evolução para desidratação grave ou vômitos persistentes que impeçam a TRO, indica-se a gastróclise ou o Plano C.

Quando a hidratação venosa (Plano C) é realmente necessária?

A hidratação venosa está reservada para casos de desidratação grave, caracterizada por sinais de choque circulatório (pulso periférico ausente ou muito fino, extremidades frias, tempo de enchimento capilar muito prolongado, letargia ou coma) ou quando há falha técnica da terapia de reidratação oral (vômitos incoercíveis, íleo paralítico ou perda fecal maciça que supera a ingestão). No Plano C para crianças acima de 5 anos, a expansão rápida é feita com 30 mL/kg de cristaloide em 30 minutos, seguido de 70 mL/kg em 2 horas e meia. É um erro comum iniciar o Plano C em crianças que ainda podem ser tratadas com segurança e menor custo via oral.

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