Manejo da Desidratação Infantil: Plano B e TRO

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

João, um lactente de 22 meses de idade, é levado à Unidade de Pronto Atendimento com história de diarreia líquida profusa (cerca de 8 episódios nas últimas 15 horas) e 3 episódios de vômitos. A mãe relata que ele está muito sedento e chora com facilidade. Ao exame físico, o paciente apresenta-se irritado, com olhos encovados e lágrimas escassas. A mucosa oral está seca e o sinal da prega desaparece em aproximadamente 1 segundo. O preenchimento capilar é de 2 segundos e os pulsos radiais estão rápidos, porém cheios. Diante do quadro clínico apresentado, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Iniciar Terapia de Reidratação Oral (TRO) na unidade de saúde, com oferta de 50 a 100 mL/kg de Soro de Reidratação Oral em um período de 4 horas.
  2. B) Prescrever hidratação parenteral imediata com Soro Fisiológico 0,9%, na dose de 20 mL/kg em 20 minutos, repetindo se necessário até a estabilização.
  3. C) Realizar expansão rápida com Ringer Lactato, administrando 30 mL/kg nos primeiros 30 minutos e 70 mL/kg nas próximas 2 horas e meia.
  4. D) Orientar a manutenção da amamentação e aumento da oferta de líquidos caseiros em domicílio, com retorno imediato se houver sinais de perigo.

Pérola Clínica

Irritabilidade + Olhos encovados + Sede intensa = Desidratação moderada (Plano B).

Resumo-Chave

O Plano B é indicado para crianças com sinais de desidratação sem choque. A conduta é a Terapia de Reidratação Oral (TRO) supervisionada na unidade de saúde.

Contexto Educacional

A doença diarreica aguda é uma das principais causas de morbidade infantil, e a desidratação é sua complicação mais perigosa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) padronizou o manejo em três planos (A, B e C) para facilitar a decisão clínica. O Plano B foca na reidratação de crianças que já perderam entre 5% e 10% do peso corporal, mas que ainda possuem mecanismos compensatórios preservados. O sucesso da Terapia de Reidratação Oral (TRO) baseia-se no cotransporte sódio-glicose no epitélio intestinal, que permanece funcional mesmo em infecções por patógenos como o Rotavírus ou Vibrio cholerae. O uso de SRO de baixa osmolaridade reduz a necessidade de hidratação venosa e o volume de fezes. A manutenção da amamentação é encorajada, mas outros alimentos são geralmente pausados apenas durante as 4 horas iniciais da reidratação rápida.

Perguntas Frequentes

Como identificar clinicamente o Plano B de reidratação?

O Plano B é indicado quando a criança apresenta pelo menos dois dos seguintes sinais: irritabilidade/inquietação, olhos encovados, sede intensa (bebe avidamente) e sinal da prega que desaparece lentamente (até 2 segundos). Diferente do Plano C, o paciente no Plano B não apresenta sinais de choque, como letargia, pulsos débeis ou tempo de enchimento capilar muito prolongado (> 3s).

Qual a dosagem e o tempo de administração no Plano B?

A recomendação é administrar de 50 a 100 mL/kg de Soro de Reidratação Oral (SRO) exclusivamente por via oral, em um período de 4 horas. Durante esse tempo, a criança deve ser reavaliada continuamente. Se os sinais de desidratação desaparecerem, passa-se para o Plano A. Se persistirem, mantém-se o Plano B ou considera-se sonda nasogástrica (gastróclise) se houver vômitos persistentes.

Quais são as contraindicações ou falhas da Terapia de Reidratação Oral?

A TRO pode falhar em casos de vômitos persistentes e incoercíveis (mais de 4 episódios em 1 hora), íleo paralítico, distensão abdominal grave ou perda de consciência. Nessas situações, ou se houver piora clínica evoluindo para choque, a via oral deve ser interrompida e iniciada a hidratação parenteral imediata (Plano C).

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