Desidratação Grave em Crianças: Diagnóstico e Plano C

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 3 anos, apresenta diarreia liquida sem sangue, 7 vezes ao dia, há 5 dias. Presença de febre e vômito no início do quadro. Há um dia, irritabilidade, diminuição do apetite e muita sede. Ao exame físico, mucosas secas, choro sem lágrimas, pulsos cheios, pesando 8% a menos que o peso anteriormente registrado. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Paciente com desidratação grave, deve ser colocado no Plano C de tratamento, com hidratação endovenosa.
  2. B) Desidratação leve, deve ser colocado no Plano A, com tratamento domiciliar e Soro de reidratação oral (SRO).
  3. C) Há sinais de desidratação, deve ser colocado no plano B, com SRO em unidade de saúde, sob supervisão até reidratar.
  4. D) Os dados apresentados são insuficientes para inferir o estado de desidratação do paciente.
  5. E) A história e exame físico sugerem diarreia bacteriana, além do SRO, recomenda-se azitromicina.

Pérola Clínica

Criança com diarreia, irritabilidade, mucosas secas, choro sem lágrimas, pulsos cheios, perda de peso > 8% → Desidratação grave (Plano C).

Resumo-Chave

A presença de irritabilidade, mucosas secas, choro sem lágrimas, diminuição do apetite e uma perda de peso de 8% em uma criança com diarreia e vômitos indica desidratação grave, que requer tratamento imediato com hidratação endovenosa (Plano C da OMS).

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação comum e potencialmente fatal da diarreia aguda em crianças, sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. O reconhecimento precoce e a classificação correta do grau de desidratação são cruciais para instituir o tratamento adequado e evitar desfechos adversos. A avaliação clínica baseada nos planos de tratamento da OMS (Plano A, B e C) é a pedra angular do manejo. A fisiopatologia da desidratação na diarreia envolve a perda excessiva de água e eletrólitos pelas fezes, vômitos e, em menor grau, pela respiração e pele. A perda de peso é um indicador direto da perda de volume. Sinais como irritabilidade, mucosas secas, choro sem lágrimas e diminuição do apetite, associados a uma perda de peso de 8%, apontam para um quadro de desidratação grave, que compromete a perfusão tecidual e a função orgânica. O tratamento da desidratação grave (Plano C) exige hidratação endovenosa imediata para restaurar rapidamente o volume intravascular e corrigir o choque. Soluções isotônicas, como soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato, são administradas em bolus e, posteriormente, em infusão contínua, com monitoramento rigoroso dos sinais vitais e do estado de hidratação. Após a reidratação inicial, a criança deve ser reavaliada e, se possível, passar para o Plano B (SRO em unidade de saúde) ou Plano A (SRO domiciliar) para manutenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos que indicam desidratação grave em uma criança?

Sinais de desidratação grave incluem letargia ou inconsciência, olhos fundos, ausência de lágrimas, boca e língua muito secas, prega cutânea que desaparece lentamente, pulsos fracos ou ausentes, extremidades frias e perda de peso >10%. No caso, irritabilidade e perda de 8% do peso são fortes indicadores.

Qual é o Plano C de tratamento para desidratação em crianças e quando ele é indicado?

O Plano C é o tratamento para desidratação grave e consiste em hidratação endovenosa rápida com solução salina isotônica (ex: soro fisiológico 0,9%) em bolus, seguida de infusão contínua. É indicado quando a criança apresenta dois ou mais sinais de desidratação grave.

Por que a perda de peso é um indicador crucial da gravidade da desidratação?

A perda de peso é um dos indicadores mais objetivos da gravidade da desidratação, pois reflete diretamente a perda de volume de fluidos corporais. Uma perda de 5-10% do peso corporal indica desidratação moderada a grave, e >10% indica desidratação muito grave, sendo fundamental para a classificação.

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