HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2019
RN de 48 horas de vida, nascido de parto vaginal, a termo, com peso ao nascimento de 3.350 g; está com a mãe (17 anos e primigesta) em alojamento conjunto, sob aleitamento materno exclusivo e fototerapia contínua. Peso atual: 2.950 g. Iniciou com choro intenso e temperatura de 37,8°C. Exames laboratoriais: Na = 149 mEq/L; bilirrubina total = 15 mg/dl; bilirrubina direta = 0,8 mg/dl; Ht 65%; leucócitos 15.000/mm³ (bastões 4%; segmentados 52%; linfócitos 45%). O diagnóstico e conduta corretas são:
RN com perda de peso >10%, hipernatremia e icterícia sob fototerapia → Desidratação por aleitamento ineficaz. Corrigir técnica e aumentar oferta hídrica.
A perda de peso de quase 12% em 48 horas, associada à hipernatremia (Na 149 mEq/L) e choro intenso, são fortes indicadores de desidratação no recém-nascido, provavelmente por aleitamento materno ineficaz. A icterícia e o hematócrito elevado podem ser agravados pela desidratação. A conduta inicial é corrigir a causa da desidratação, focando na técnica de amamentação e aumentando a oferta hídrica oral.
A desidratação em recém-nascidos é uma condição grave que exige reconhecimento e manejo rápidos. A perda de peso fisiológica normal em RNs a termo é de até 7-10% do peso de nascimento nas primeiras 72 horas de vida. Uma perda superior a isso, especialmente acompanhada de hipernatremia (sódio > 145 mEq/L), é um forte indicativo de desidratação, frequentemente associada a um aleitamento materno ineficaz. Neste caso, o RN apresenta uma perda de peso de quase 12% em 48 horas e hipernatremia, além de icterícia e choro intenso. A icterícia neonatal é comum, mas pode ser agravada pela desidratação devido à hemoconcentração e ao aumento da circulação êntero-hepática da bilirrubina. A fototerapia, embora necessária para a icterícia, pode aumentar as perdas insensíveis e agravar a desidratação se a oferta hídrica não for adequada. O manejo correto envolve a identificação da causa da desidratação, que neste cenário é a ineficácia do aleitamento. A conduta deve focar em orientar a mãe sobre a técnica de amamentação, garantir mamadas eficazes e frequentes, e monitorar o peso e a hidratação do bebê. A hidratação intravenosa é reservada para casos de desidratação grave ou quando a via oral é inviável. É crucial diferenciar esta condição da icterícia pelo leite materno, que tem um curso benigno e surge mais tardiamente, sem os sinais de desidratação aguda.
Os sinais de desidratação em RN incluem perda de peso excessiva (acima de 7-10% nas primeiras 72h), hipernatremia, oligúria, fontanela deprimida, mucosas secas, letargia ou irritabilidade e, em casos graves, choque.
A conduta inicial envolve a correção da técnica de amamentação, aumento da frequência e duração das mamadas, e monitoramento rigoroso do peso e da diurese. Em casos mais graves ou com impossibilidade de alimentação oral, pode ser necessária hidratação intravenosa com soluções hipotônicas.
A desidratação pode exacerbar a icterícia neonatal ao diminuir a frequência das evacuações, o que leva a um aumento da circulação êntero-hepática da bilirrubina. Além disso, a hemoconcentração pode elevar os níveis de bilirrubina.
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