Desidratação Moderada em Lactentes: Manejo e TRO

FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Lactente de 14 meses de idade, chega à emergência devido a quadro de vômitos que se iniciou há 24 horas associados a evacuações com fezes aquosas, volumosas e fétidas em torno de 10 vezes nas últimas 24 horas, sem sangue ou muco. A criança é avaliada e ao exame físico notou-se que está bebendo avidamente a água oferecida, tem bom estado geral, está chorosa, olhos encovados, saliva pouco espessa, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, apresenta peso = 10 kg; FC = 120 bpm; FR = 30 irpm. Diante destes achados, a conduta inicial é:

Alternativas

  1. A) Hidratação com terapia de reidratação oral na unidade de emergência por 4 horas com volume total de 750ml de soro oral.
  2. B) Infusão intravenosa de soro fisiológico 20 mL/kg em 20min e repetir até que a criança fique hidratada.
  3. C) Expansão intravenosa com soro fisiológico ou ringer lactato 10-20 mL/kg em 10min e indicar hospitalização.
  4. D) Liberar com prescrição de sais de reidratação oral, alimentação habitual e oferta de líquidos abundante.
  5. E) Hidratação com terapia de reidratação oral na unidade de emergência por 4 horas com volume de aproximadamente 30 ml de soro oral, a cada 15 minutos.

Pérola Clínica

Desidratação moderada em lactentes → Terapia de Reidratação Oral (TRO) 50-100 mL/kg em 4h na unidade de saúde.

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de desidratação moderada (olhos encovados, bebendo avidamente, chorosa, saliva pouco espessa), mas sem sinais de choque (TPC normal, bom estado geral). Nesses casos, a conduta inicial é a hidratação oral supervisionada na unidade de emergência, com volume calculado para reverter a desidratação em 4 horas.

Contexto Educacional

A gastroenterite aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em lactentes, devido ao risco de desidratação. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação e a instituição da terapia de reidratação oral (TRO) são fundamentais para um bom prognóstico. A classificação da desidratação (leve, moderada, grave) baseia-se em sinais clínicos como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede, elasticidade da pele e tempo de enchimento capilar. A fisiopatologia da desidratação na gastroenterite envolve a perda de água e eletrólitos pelas fezes e vômitos. A TRO, com soluções de baixa osmolaridade, visa repor essas perdas, utilizando o cotransporte de sódio e glicose no intestino. É crucial que a reidratação seja feita de forma gradual e monitorada, especialmente em casos moderados, para evitar complicações e garantir a absorção adequada dos líquidos. O tratamento da desidratação moderada, conforme o Plano B da OMS/Ministério da Saúde, preconiza a administração de 50-100 mL/kg de soro de reidratação oral em 4 horas, em ambiente hospitalar ou de emergência, com monitoramento contínuo. Após essa fase, a criança deve ser reavaliada e, se reidratada, pode ser liberada com orientações para manutenção da hidratação e alimentação habitual, seguindo o Plano A.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de desidratação moderada em lactentes?

Os sinais de desidratação moderada incluem olhos encovados, boca e língua secas, sede intensa (bebendo avidamente), choro sem lágrimas, diminuição da elasticidade da pele e irritabilidade. O tempo de enchimento capilar geralmente permanece normal (<3 segundos).

Qual o volume de soro de reidratação oral recomendado para desidratação moderada?

Para desidratação moderada, a recomendação é administrar 50 a 100 mL/kg de soro de reidratação oral ao longo de 4 horas. No caso de um lactente de 10 kg, o volume total seria de 500 a 1000 mL, sendo 750 mL uma opção adequada dentro dessa faixa.

Por que a hidratação intravenosa não é a primeira escolha para desidratação moderada?

A hidratação intravenosa é reservada para casos de desidratação grave ou choque, ou quando a terapia de reidratação oral falha. Para desidratação moderada, a via oral é segura, eficaz e menos invasiva, com menor risco de complicações.

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