INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2025
Tiago, um lactente de nove meses, foi trazido à emergência. Os pais relatam início, há dois dias, de febre baixa e inúmeros episódios de diarreia aquosa volumosa sem sangue ou muco, além de dois episódios de vômitos pós-alimentares, hiporexia e aceitação parcial de líquidos, mantendo a aceitação do aleitamento materno. Referiam peso prévio ao episódio de 9 kg. Ao exame físico: FC 150 bpm; FR 40 ipm PA: 78 / 50 (68) mmHg; peso 8,5 Kg. Regular estado geral, alerta, irritado, choro sem lágrimas, olhos fundos, boca seca. Pulsos periféricos cheios e normopalpáveis. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a avaliação e a conduta mais adequada.
Lactente com desidratação moderada, alerta e aceitando líquidos → reidratação oral com SRO no PA.
Apesar de sinais de desidratação e taquicardia, a manutenção do estado de alerta, pulsos cheios e aceitação do aleitamento materno indicam que o lactente não está em choque descompensado e pode se beneficiar da reidratação oral com SRO, que é a primeira linha para desidratação moderada.
A desidratação é uma complicação comum e potencialmente grave da diarreia aguda em lactentes, sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A avaliação do estado de hidratação é crucial e baseia-se em sinais clínicos como nível de consciência, olhos, lágrimas, boca, elasticidade da pele e, principalmente, a perda de peso. Uma perda de peso de 5-10% indica desidratação moderada, enquanto acima de 10% ou sinais de choque (letargia, pulsos fracos, enchimento capilar prolongado) indicam desidratação grave. A fisiopatologia da diarreia aguda envolve a perda excessiva de água e eletrólitos, levando à depleção de volume. O manejo inicial foca na reidratação. Para desidratação leve a moderada, a reidratação oral com Soro de Reidratação Oral (SRO) é a terapia de escolha, sendo altamente eficaz e segura. O SRO deve ser oferecido em pequenas quantidades e frequentemente, mesmo na presença de vômitos. O aleitamento materno deve ser mantido e incentivado, pois fornece nutrientes e líquidos essenciais. Em casos de desidratação grave ou choque hipovolêmico, a reidratação intravenosa é necessária, geralmente com bolus de solução salina isotônica. É fundamental que residentes saibam diferenciar os graus de desidratação e aplicar o plano de tratamento adequado (Plano A, B ou C da OMS), pois a escolha correta da via e do volume de reidratação impacta diretamente o prognóstico do lactente. A educação dos pais sobre a importância da reidratação oral e a manutenção da alimentação também são componentes essenciais do manejo.
Sinais de desidratação moderada em lactentes incluem irritabilidade, olhos fundos, choro sem lágrimas, boca seca, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega), e perda de peso entre 5% e 10% do peso corporal. A frequência cardíaca pode estar aumentada, mas os pulsos periféricos geralmente são cheios.
A reidratação oral com SRO (soro de reidratação oral) é a conduta mais adequada para desidratação leve a moderada em crianças que estão alertas, conscientes e capazes de ingerir líquidos. É a primeira escolha de tratamento, mesmo na presença de vômitos, desde que estes não sejam incoercíveis.
O aleitamento materno não deve ser suspenso durante um episódio de diarreia em lactentes, pois ele continua a fornecer nutrientes, líquidos e anticorpos essenciais que ajudam na recuperação e na prevenção de desidratação e desnutrição. A suspensão pode piorar o quadro e não evita vômitos ou diarreia.
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