IOG - Instituto de Olhos de Goiânia — Prova 2024
Menina, quatro anos, é levada à emergência pelos pais com quadro de vômitos (duas vezes), febre (38°C) e diarreia aquosa (seis vezes), iniciado há 24 horas. Recusa alimentar, diurese diminuída e de cor amarela escura. Irmão com quadro semelhante, porém sem vômitos. Ao exame: estado geral regular, hipocorada (+/4+), mucosas secas, taquipneica (FR 40 irpm), taquicárdica (FC 125 bpm), sem rigidez de nuca, enchimento capilar de quatro segundos. Ausculta cardíaca e respiratória sem alterações. Abdome depressível, difusamente doloroso, mas sem sinais de irritação peritoneal. Peristalse aumentada, sem massas ou visceromegalias. Sobre a conduta terapêutica relacionada ao caso acima, indique a alternativa correta:
Criança com desidratação moderada e vômitos/recusa oral → SRO por SNG (15-30 mL/kg/h) ou hidratação IV.
A criança apresenta sinais de desidratação moderada (mucosas secas, taquicardia, taquipneia, enchimento capilar prolongado, diurese diminuída) e dificuldade de reidratação oral (vômitos, recusa alimentar). Nesses casos, se a via oral for inviável ou insuficiente, a administração de SRO por sonda nasogástrica ou a terapia intravenosa são opções válidas para garantir a reidratação adequada.
A gastroenterite aguda é uma condição comum na infância, caracterizada por diarreia e/ou vômitos, sendo a desidratação sua principal complicação. O manejo da desidratação em crianças é um pilar fundamental da pediatria, e a capacidade de avaliar o grau de desidratação e escolher a via de reidratação mais apropriada é essencial para a prática do residente. O caso apresentado descreve uma criança com sinais de desidratação moderada, com fatores que dificultam a reidratação oral. A fisiopatologia da desidratação na gastroenterite envolve a perda de fluidos e eletrólios através das fezes e vômitos. O diagnóstico do grau de desidratação é clínico, e a criança do caso apresenta sinais como mucosas secas, taquicardia, taquipneia e enchimento capilar prolongado, que se encaixam no quadro de desidratação moderada. A recusa alimentar e os vômitos são fatores que complicam a terapia de reidratação oral (TRO), que é a primeira linha de tratamento. Quando a TRO falha ou é inviável devido a vômitos persistentes ou recusa oral, alternativas devem ser consideradas. A administração de soro de reidratação oral (SRO) por sonda nasogástrica (SNG) é uma opção eficaz e segura para crianças com desidratação moderada que não toleram a via oral. Em casos de falha da SNG ou progressão para desidratação grave, a terapia intravenosa com soluções isotônicas (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) torna-se necessária para restaurar o volume e corrigir o desequilíbrio hidroeletrolítico.
Sinais de desidratação moderada incluem irritabilidade ou inquietação, olhos fundos, lágrimas diminuídas, boca e língua secas, sede aumentada, sinal da prega cutânea que desaparece lentamente (< 2 segundos), taquicardia e enchimento capilar prolongado (2-3 segundos).
A reidratação por sonda nasogástrica é indicada para crianças com desidratação moderada a grave que não conseguem ingerir SRO por via oral devido a vômitos persistentes, recusa alimentar ou alteração do nível de consciência, mas que não necessitam de hidratação intravenosa imediata.
A soroterapia venosa é indicada para crianças com desidratação grave, choque, vômitos incoercíveis que impedem a reidratação oral ou por SNG, íleo paralítico, ou falha da reidratação oral/SNG após um período de tentativa.
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