SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Lactente, 10 meses de vida, apresenta quadros de diarreia e também vômitos há 4 dias. FC 130 bpm; FR 40; afebril; sat 97% aa; PA 80 x 60 mmHg. O lactente apresenta estado regular de forma geral, chora sem lágrimas; mucosa seca; sinal da prega desce lentamente e bebe água avidamente. Peso 10 kg. O manejo adequado da diarreia para esse paciente deve ser:
Sede intensa + mucosa seca + sinal da prega lento = Desidratação moderada → Plano B (SRO 75ml/kg em 4h).
O paciente apresenta sinais de desidratação sem choque (Plano B), sendo a via oral preferencial para reposição volêmica gradual.
A terapia de reidratação oral (TRO) é uma das intervenções de saúde pública mais eficazes da história, reduzindo drasticamente a mortalidade por diarreia. A fisiopatologia baseia-se no cotransporte de sódio e glicose no intestino delgado, que permanece funcional mesmo em diarreias secretoras. O reconhecimento precoce dos sinais de desidratação permite a aplicação do Plano B, evitando a necessidade de acessos venosos e hospitalizações prolongadas. O sucesso do tratamento depende da oferta fracionada do soro e da monitorização rigorosa da aceitação e das perdas.
A desidratação leve apresenta poucos sinais clínicos. A moderada (Plano B) é marcada por sede ávida, irritabilidade, olhos fundos, mucosas secas e sinal da prega que desaparece lentamente (< 2s). A grave (Plano C) apresenta sinais de choque: letargia ou inconsciência, incapacidade de beber, pulso débil, tempo de enchimento capilar > 3s e sinal da prega muito lento (> 2s).
O Plano B consiste na administração de Soro de Reidratação Oral (SRO) na unidade de saúde, sob supervisão médica. O volume estimado é de 75 ml/kg, a ser oferecido em pequenas quantidades frequentemente ao longo de 4 horas. Durante este período, o aleitamento materno deve ser mantido, mas outros alimentos são suspensos. A reavaliação contínua é essencial para decidir se o paciente progride para o Plano A ou necessita do Plano C.
A via venosa (Plano C) é indicada em casos de desidratação grave com choque, íleo paralítico, vômitos persistentes e incoercíveis (após tentativa de sonda nasogástrica), ou falha da terapia de reidratação oral (piora dos sinais ou perda de peso após 2 horas de Plano B). Se o paciente bebe avidamente e está estável, a via oral é sempre mais segura e eficaz.
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