Desidratação em Lactentes: Manejo da Diarreia Aguda

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 6 meses de idade, com história de desmame precoce com 2 meses de idade vem a consulta na Unidade de Pronto Atendimento, após o desmame iniciou o uso de fórmula infantil sem lactose sem orientação médica. Há 2 dias iniciou quadro de diarreia líquida sem muco ou sangue, em torno de 8 a 10 episódios por dia. Nesse período apresentou 2 episódios de vômitos pós alimentares e febre não aferida. Ao exame físico: estado geral preservado, sede aumentada, pulso cheio, turgor cutâneo diminuído, enchimento capilar de 1 segundo. Assadura perianal discreta. Sem outras alterações. De acordo com o caso relatado, qual é a conduta para essa criança?

Alternativas

  1. A) Internar na Unidade, iniciar hidratação venosa com soro fisiológico e jejum por 6 horas.
  2. B) Liberar para o domicílio com sais de reidratação oral e retirar a fórmula infantil sem lactose.
  3. C) Internar na Unidade, realizar antiemético e hidratação com soro glicosado. 
  4. D) Internar na Unidade, realizar hidratação oral com sais de reidratação por 4 a 6 horas. 

Pérola Clínica

Lactente com desidratação leve/moderada (sede, turgor ↓) → Hidratação oral supervisionada em ambiente hospitalar.

Resumo-Chave

Apesar do estado geral preservado, a presença de sede aumentada e turgor cutâneo diminuído indica desidratação. A internação para hidratação oral supervisionada é crucial para garantir a adesão e monitorar a evolução, especialmente com vômitos e histórico de desmame precoce/fórmula inadequada.

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação comum da diarreia aguda em lactentes e uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A avaliação do grau de desidratação é fundamental para guiar a conduta, sendo a terapia de reidratação oral (TRO) a pedra angular do tratamento para desidratação leve a moderada. É crucial reconhecer os sinais precoces para evitar a progressão para quadros graves. O diagnóstico da desidratação baseia-se na história clínica (número de evacuações, vômitos, aceitação alimentar e hídrica) e no exame físico, que avalia o estado geral, olhos, mucosas, turgor da pele, fontanela (em lactentes), pulsos e tempo de enchimento capilar. A presença de sede aumentada e turgor diminuído, com estado geral preservado, aponta para desidratação leve a moderada, que pode ser manejada com TRO. O tratamento da desidratação leve a moderada (Plano B do Ministério da Saúde) envolve a administração de 50 a 100 mL/kg de soro de reidratação oral em 4 a 6 horas. Em casos de vômitos, a oferta deve ser fracionada em pequenas quantidades. A internação hospitalar para TRO supervisionada é recomendada quando há dificuldade na aceitação oral, vômitos persistentes ou preocupação com a adesão domiciliar, garantindo a segurança e eficácia do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação leve a moderada em lactentes?

Os sinais incluem sede aumentada, turgor cutâneo diminuído, olhos ligeiramente fundos, choro sem lágrimas e irritabilidade. O estado geral pode estar preservado, mas a criança demonstra desconforto.

Qual a conduta inicial para desidratação leve a moderada em lactentes com vômitos?

A conduta inicial é a terapia de reidratação oral (TRO) com sais de reidratação. Em casos com vômitos frequentes ou dificuldade de aceitação, a internação para TRO supervisionada em pequenas e frequentes quantidades é indicada.

Quando a hidratação venosa é indicada na diarreia aguda em lactentes?

A hidratação venosa é indicada em casos de desidratação grave (choque, letargia, pulsos fracos, enchimento capilar prolongado), falha da terapia de reidratação oral ou impossibilidade de ingestão oral (vômitos incoercíveis).

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