Desidratação em Lactentes: Diagnóstico e Manejo Essencial

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020

Enunciado

Lactente com 8 meses de idade apresenta fezes líquidas 4 a 5 vezes/dia, sem muco ou sangue há 2 dias e 2 episódios de vômitos no primeiro dia. Ao exame físico: afebril, alerta, olhos normais, lágrimas presentes, boca e língua secas, pulso rápido, tempo de enchimento capilar entre 3-5 segundos. Qual é o diagnóstico e a conduta?

Alternativas

  1. A) Há desidratação; administrar soro de reidratação oral sob supervisão médica.
  2. B) Há desidratação; administração de soro fisiológico 0,9% via parenteral, 20 mL/Kg de peso em 60 minutos.
  3. C) Não há desidratação; orientar observação em domicílio, com suspensão de dieta e manutenção de aleitamento materno.
  4. D) Não há desidratação; oferecer 20mL de soro de reidratação oral em cada evacuação diarreica ou vômitos.

Pérola Clínica

Lactente com diarreia, boca seca, pulso rápido, TPC 3-5s → desidratação moderada. Conduta: SRO sob supervisão.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais de desidratação, como boca e língua secas, pulso rápido e tempo de enchimento capilar (TPC) entre 3-5 segundos. Embora esteja alerta e com lágrimas, o TPC prolongado e a boca seca indicam desidratação. A conduta inicial para desidratação moderada é a administração de soro de reidratação oral (SRO) sob supervisão médica, conforme as diretrizes da OMS.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade em lactentes e crianças pequenas, sendo a desidratação a complicação mais grave. O reconhecimento precoce e o manejo adequado da desidratação são fundamentais para a sobrevida infantil. A avaliação do grau de desidratação baseia-se em sinais clínicos como estado geral, olhos, lágrimas, boca e língua, elasticidade da pele, pulso e tempo de enchimento capilar (TPC). Um TPC prolongado (≥3 segundos) é um sinal de alerta importante, indicando comprometimento da perfusão periférica. Para a desidratação moderada (Plano B da OMS), a terapia de reidratação oral (TRO) com soro de reidratação oral (SRO) é a conduta de escolha. O SRO, com sua composição balanceada de sódio, glicose e outros eletrólitos, facilita a absorção de água e eletrólitos pelo intestino, repondo as perdas. A administração deve ser feita em pequenas quantidades e frequentemente, sob supervisão, para evitar vômitos e garantir a ingestão adequada. O aleitamento materno e a dieta habitual devem ser mantidos, pois ajudam na recuperação nutricional e na redução da duração da diarreia. É crucial que residentes saibam diferenciar os graus de desidratação para aplicar o plano de tratamento correto. A hidratação parenteral (Plano C) é reservada para casos de desidratação grave ou choque, ou quando a TRO falha. O monitoramento contínuo do estado de hidratação e dos sinais vitais é essencial durante todo o processo de reidratação para ajustar a conduta conforme a evolução do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de desidratação em lactentes?

Os principais sinais de desidratação em lactentes incluem olhos encovados, ausência de lágrimas, boca e língua secas, diminuição da elasticidade da pele (sinal da prega), letargia ou irritabilidade, diminuição da diurese, pulso rápido e fraco, e tempo de enchimento capilar prolongado (>2 segundos).

Qual a conduta inicial para um lactente com desidratação moderada?

A conduta inicial para desidratação moderada em lactentes é a terapia de reidratação oral (TRO) com soro de reidratação oral (SRO). O SRO deve ser oferecido em pequenas quantidades frequentemente, sob supervisão, para repor as perdas de água e eletrólitos. A dieta habitual, incluindo aleitamento materno, deve ser mantida.

Quando a hidratação parenteral é indicada para desidratação em crianças?

A hidratação parenteral é indicada para desidratação grave, falha da terapia de reidratação oral (vômitos persistentes, distensão abdominal grave), choque hipovolêmico, ou quando há contraindicações à via oral, como íleo paralítico. Nesses casos, a administração rápida de fluidos intravenosos é crucial.

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