Desidratação em Lactentes: Avaliação e Manejo da Reidratação Oral

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Mateus, um lactente de 9 meses, foi trazido ao pronto atendimento. Os pais relatam início há 2 dias de febre baixa e inúmeros episódios de diarreia aquosa volumosa sem sangue ou muco, apresentou ainda dois episódios de vômitos pós-alimentares, além de hiporexia e aceitação parcial de líquidos, mantendo a aceitação do aleitamento materno. Referiam peso prévio ao episódio de 9 kg. Ao exame físico: FC: 150 bpm. FR: 40 ipm. PA: 78 / 50 (68) mmHg. Peso: 8,5 Kg. Regular estado geral. Alerta. Irritado. Choro sem lágrimas. Olhos fundos. Boca seca. Pulsos periféricos cheios e normopalpáveis. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a avaliação e a conduta mais adequada.

Alternativas

  1. A) O paciente não apresenta sinais de desidratação, podendo receber alta e 90 ml de SRO pós-perdas em regime ambulatorial.
  2. B) O paciente apresenta sinais de choque hipovolêmico descompensado, devendo ser puncionado acesso intraósseo e iniciada ressuscitação volêmica com SF 20 ml/kg e antibioticoterapia.
  3. C) O paciente apresenta sinais de desidratação e, havendo a capacidade de ingerir líquidos, deve-se tentar a reidratação via oral com SRO no pronto atendimento.
  4. D) O paciente apresenta sinais de desidratação grave, devendo-se proceder com punção de acesso venoso e início de reidratação EV com 30 ml/kg de SF em 1 hora.
  5. E) O paciente apresenta sinais de desidratação e, nesse caso, recomenda-se suspensão do aleitamento materno para evitar piora de episódios eméticos e início de soro de manutenção.

Pérola Clínica

Lactente com diarreia, vômitos, irritabilidade, olhos fundos, boca seca, perda de peso = Desidratação. Se ingere líquidos, tentar SRO.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais de desidratação moderada a grave (olhos fundos, boca seca, irritabilidade, perda de peso), mas ainda consegue ingerir líquidos, o que permite a tentativa de reidratação oral supervisionada no pronto atendimento, conforme o Plano B da OMS.

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação grave da diarreia aguda em lactentes, sendo uma das principais causas de mortalidade infantil globalmente. A avaliação rápida e precisa do grau de desidratação é fundamental para instituir a terapia adequada e prevenir o choque hipovolêmico, que pode ser fatal se não tratado prontamente. A avaliação clínica da desidratação baseia-se em sinais como olhos fundos, boca seca, choro sem lágrimas, irritabilidade, e perda de peso. A Terapia de Reidratação Oral (SRO) é a pedra angular do tratamento para desidratação leve a moderada, sendo eficaz e segura, e deve ser tentada sempre que o paciente conseguir ingerir líquidos, mesmo em casos de vômitos, em pequenas quantidades e frequentemente. Em casos de desidratação grave ou choque, a reidratação intravenosa é necessária. É crucial manter o aleitamento materno e a alimentação adequada durante e após a diarreia para prevenir a desnutrição e promover a recuperação intestinal. A educação dos pais sobre os sinais de alerta e o manejo domiciliar é vital para a prevenção de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais clínicos de desidratação em lactentes?

Os sinais incluem olhos fundos, boca seca, choro sem lágrimas, diminuição da elasticidade da pele, irritabilidade ou letargia, taquicardia, e diminuição da diurese. A perda de peso é um indicador objetivo e importante.

Quando a terapia de reidratação oral (SRO) é a conduta mais adequada para desidratação em crianças?

A SRO é a primeira escolha para desidratação leve a moderada, desde que a criança esteja alerta e consiga ingerir líquidos. Mesmo em casos mais graves, se a ingestão for possível, deve ser tentada sob supervisão antes da via intravenosa.

Por que o aleitamento materno não deve ser suspenso durante um episódio de diarreia em lactentes?

O aleitamento materno fornece nutrientes, anticorpos e líquidos essenciais, ajudando na recuperação e prevenindo a desnutrição. Sua suspensão pode piorar o quadro e prolongar a doença, sendo crucial para a saúde do lactente.

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