Desidratação em Lactentes: Avaliação e Manejo Essencial

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025

Enunciado

Um lactente, masculino, de um ano e seis meses, é trazido pela mãe a unidade básica de saúde com história de diarreia intensa há 4 dias. A mãe relata eliminações explosivas, fétidas e volumosas, sem presença de muco, pus ou sangue. Nega febre. Há dois dias, evoluiu com irritabilidade, choro intenso e recusa parcial da dieta. Há um dia, a mãe relata que o menor está sedento, ingerindo rapidamente todo o volume de água ofertado. Ao exame se apresentava irritado e choroso. Lágrimas ausentes e olhos fundos. Desaparecimento lento do sinal da prega. Temperatura axilar: 37°C; frequência respiratória: 25 irpm; frequência cardíaca: 100 bpm; e saturando a 99% em ar ambiente. Em relação ao paciente descrito, assinale a alternativa que CORRETAMENTE descreve o quadro e indica o tratamento:

Alternativas

  1. A) Sem sinais de desidratação. Ofertar Solução de Reidratação Oral (SRO), 100-200 ml, após cada evacuação diarreica.
  2. B) Quadro de desidratação grave, sendo indicada fase rápida com soro fisiológico 0,9% (20 ml/kg). Repetir essa quantidade até que a criança esteja hidratada.
  3. C) Quadro de desidratação, sendo indicada administração da solução de reidratação oral, 50-100 ml/kg, durante o período de 4-6 horas, em unidade de saúde.
  4. D) Quadro de desidratação, sendo indicada administração da solução de reidratação oral, 50-100 ml/kg, durante o período de 4-6 horas em unidade de saúde. Se desaparecerem os sinais de desidratação, indicar gastróclise.

Pérola Clínica

Desidratação moderada em lactentes → SRO 50-100 ml/kg em 4-6h.

Resumo-Chave

O lactente apresenta sinais de desidratação (irritabilidade, olhos fundos, sede intensa, sinal da prega lento) que não configuram desidratação grave (ausência de choque). O tratamento indicado é a reidratação oral com SRO em ambiente supervisionado, seguindo o Plano B da OMS.

Contexto Educacional

A desidratação em lactentes, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma condição pediátrica comum e potencialmente grave, sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A rápida identificação e manejo são cruciais para evitar complicações. A classificação do grau de desidratação (sem desidratação, algum grau de desidratação/moderada, desidratação grave) é fundamental para guiar a terapêutica. A fisiopatologia envolve a perda de água e eletrólitos, levando a desequilíbrios hidroeletrolíticos. O diagnóstico é clínico, baseado na avaliação de sinais como estado geral, olhos, lágrimas, boca, sede, sinal da prega e pulsos. A sede intensa, irritabilidade e olhos fundos são indicativos de desidratação. A ausência de sinais de choque (pulsos cheios, bom enchimento capilar) diferencia a desidratação moderada da grave. O tratamento da desidratação moderada (Plano B) consiste na administração de Solução de Reidratação Oral (SRO) na dose de 50-100 ml/kg em 4-6 horas, em ambiente supervisionado. A SRO repõe água e eletrólitos de forma equilibrada. O prognóstico é excelente com tratamento adequado, mas a falha em reconhecer e tratar pode levar à progressão para desidratação grave e choque hipovolêmico, exigindo hidratação intravenosa (Plano C).

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de desidratação moderada em lactentes?

Sinais incluem irritabilidade, olhos fundos, lágrimas ausentes, boca e língua secas, sede intensa e desaparecimento lento do sinal da prega cutânea.

Qual a conduta inicial para desidratação moderada em crianças?

A conduta é a administração de Solução de Reidratação Oral (SRO) na dose de 50-100 ml/kg, oferecida em pequenas quantidades durante um período de 4 a 6 horas, preferencialmente em unidade de saúde.

Como diferenciar desidratação moderada de desidratação grave?

A desidratação grave apresenta sinais de choque (letargia, pulsos fracos, enchimento capilar >3s, hipotensão), enquanto a moderada não, mas já tem comprometimento do estado geral e sinais clínicos claros.

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