Desidratação Grave Pediátrica: Manejo da Acidose e Eletrólitos

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019

Enunciado

Uma paciente de um ano de idade foi levada ao hospital, previamente hígida, apresentando quadro de diarreia em grande quantidade, líquida, várias vezes ao dia, nos últimos três dias. A mãe relatou também alguns episódios de vômitos, com baixa aceitação alimentar e diminuição da diurese há um dia. Não fez uso de nenhuma medicação nem de soro via oral. Estava na emergência com quadro de desidratação, porém sem sinais de choque, com os seguintes exames laboratoriais iniciais: Na 135 mEq/L; K 2,8 mEq/L; Cl 100 mEq/dL; pH 7,1; HCO3 8 mmol/L; e Ht 27%. Considerando essa situação hipo tética, assinale a alternativa que apresenta a conduta mais apropriada.

Alternativas

  1. A) expansão com SF 0,9% 20 mL/kg, aberta, e correção de bicarbonato de sódio 
  2. B) expansão com SF 0,9% e correção de potássio e de bicarbonato de sódio em 4 h
  3. C) expansão com SF 0,9% e correção de potássio em 4 h
  4. D) expansão com Ringer Lactato 20 mL/kg em vinte minutos e correção de bicarbonato
  5. E) expansão com SF 0,9% 20 mL em 1 h, transfusão sanguínea e correção de potássio em 2h

Pérola Clínica

Desidratação grave sem choque + acidose metabólica + hipocalemia → iniciar expansão volêmica com SF 0,9% e corrigir potássio após.

Resumo-Chave

Em crianças com desidratação grave sem choque, a prioridade é a rápida expansão volêmica com solução isotônica (SF 0,9% ou Ringer Lactato) para restaurar a perfusão. A acidose metabólica frequentemente melhora com a reidratação e correção da perfusão renal. A hipocalemia deve ser corrigida após a fase de expansão, adicionando potássio aos fluidos de manutenção.

Contexto Educacional

A desidratação grave em crianças, frequentemente causada por diarreia aguda, é uma emergência pediátrica que requer manejo rápido e eficaz. A avaliação do estado de hidratação e da presença de choque é crucial para guiar a fluidoterapia. A desidratação isonatrêmica é a mais comum, e a acidose metabólica é uma complicação frequente devido à perda de bicarbonato nas fezes e à hipoperfusão tecidual. Em pacientes com desidratação grave, mas sem sinais de choque, a prioridade é a rápida expansão volêmica com solução isotônica (soro fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato) em bolus de 20 mL/kg em 20-30 minutos, que pode ser repetido. Essa medida visa restaurar a perfusão e, consequentemente, melhorar a acidose metabólica e a função renal. A hipocalemia é comum e deve ser corrigida após a fase de expansão, adicionando potássio aos fluidos de manutenção. A correção da acidose metabólica com bicarbonato de sódio é geralmente reservada para casos de acidose muito grave (pH < 7.0) ou quando a reidratação não é suficiente, devido aos riscos de hipernatremia, hipocalcemia e acidose paradoxal do sistema nervoso central. A monitorização cuidadosa dos eletrólitos e do estado ácido-básico é fundamental durante todo o processo de reidratação.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para desidratação grave sem choque em crianças?

A conduta inicial é a expansão volêmica rápida com solução isotônica (SF 0,9% ou Ringer Lactato) na dose de 20 mL/kg em 20-30 minutos, repetindo se necessário, até melhora dos sinais de desidratação.

Por que a correção de bicarbonato não é a primeira medida na acidose metabólica por desidratação?

A acidose metabólica na desidratação é frequentemente secundária à hipoperfusão tecidual e renal. A restauração do volume e da perfusão geralmente melhora a acidose, e a administração de bicarbonato pode causar hipernatremia, hipocalcemia e acidose paradoxal do sistema nervoso central.

Como deve ser feita a correção da hipocalemia em crianças desidratadas?

A correção da hipocalemia deve ser iniciada após a fase de expansão volêmica, adicionando potássio aos fluidos de manutenção (geralmente 20-40 mEq/L), monitorando os níveis séricos e a função renal.

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