Desidratação e IC: Manejo de Hipotensão e Medicações

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 65 anos, com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, em uso de furosemida 80 mg/dia, captopril 50 mg 8/8 horas, carvedilol 12,5 mg 2x dia e espironolactona 25 mg/dia em uso correto de todas as medicações, procura pronto-socorro com quadro de há 1 semana com diarreia líquida, em torno de 5 vezes ao dia, sem sinais patológicos. Ao exame físico apresenta-se em regular estado geral, tempo de enchimento capilar maior do que 3 segundos, pressão arterial 85/45 mmHg, frequência cardíaca 65 bpm, sem estase jugular, ausculta pulmonar sem alterações, bulhas cardíaca rítmicas em 2 tempos sem sopros, MMII sem edemas. Em relação a esse caso, assinale a conduta indicada:

Alternativas

  1. A) Alta hospitalar, ciprofloxacina, manutenção da furosemida e suspensão do carvedilol.
  2. B) Observação hospitalar, expansão volêmica, suspensão dos diuréticos e hipotensores.
  3. C) Observação hospitalar, manutenção da furosemida, suspensão dos hipotensores e prescrição de Saccharomyces boulardii.
  4. D) Alta hospitalar, terapia de reidratação via oral, manutenção de todas as outras medicações.

Pérola Clínica

IC descompensada + desidratação + hipotensão → Suspender diuréticos/hipotensores, iniciar expansão volêmica cautelosa.

Resumo-Chave

Pacientes com IC em uso de múltiplas medicações cardiovasculares são muito sensíveis à depleção volêmica. Diarreia pode levar rapidamente à desidratação e hipotensão, exigindo a suspensão temporária de diuréticos e vasodilatadores para evitar choque e lesão renal aguda.

Contexto Educacional

Pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (HFrEF) são frequentemente polimedicados com diuréticos, IECA/BRA, betabloqueadores e antagonistas da aldosterona. Embora essenciais para o manejo crônico, essas medicações podem ser perigosas em situações de depleção volêmica aguda, como diarreia. A fisiopatologia envolve a redução da pré-carga devido à diarreia e aos diuréticos, e a redução da pós-carga pelos vasodilatadores, culminando em hipotensão e hipoperfusão sistêmica. Sinais como tempo de enchimento capilar > 3 segundos e pressão arterial baixa indicam um quadro de choque hipovolêmico. A ausência de estase jugular e edemas em um paciente com IC sugere depleção volêmica em vez de congestão. O tratamento visa restaurar a volemia e a perfusão. A suspensão temporária de diuréticos e hipotensores é crucial. A expansão volêmica deve ser feita com cautela, monitorando sinais de congestão pulmonar, especialmente em pacientes com disfunção ventricular grave. A observação hospitalar é indicada para monitoramento hemodinâmico e reavaliação da função renal.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de desidratação em pacientes com insuficiência cardíaca?

Os sinais incluem tempo de enchimento capilar prolongado, hipotensão, taquicardia (se não em uso de betabloqueadores), mucosas secas e oligúria. Em cardiopatas, a ausência de estase jugular e edemas pode indicar depleção volêmica.

Qual a conduta inicial para hipotensão em paciente com IC e diarreia?

A conduta inicial é suspender imediatamente os diuréticos e os medicamentos hipotensores (IECA/BRA, betabloqueadores). Em seguida, iniciar expansão volêmica cautelosa com soro fisiológico, monitorando rigorosamente sinais de congestão.

Por que suspender diuréticos e hipotensores em caso de desidratação e IC?

Diuréticos e hipotensores reduzem a pré-carga e a pós-carga, respectivamente. Em um paciente desidratado e hipotenso, a manutenção dessas medicações pode agravar a hipoperfusão tecidual, levando a choque e lesão renal aguda.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo