Desidratação Infantil: Classificação e Plano de Reidratação

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2023

Enunciado

Lactente de 18 meses é admitido no pronto atendimento pediátrico do HPM com história de febre e diarréia iniciados há 24h, com piora progressiva. A mãe relata que foram inúmeros episódios diarreicos, sem sangue, além de diurese diminuída. O paciente não tem comorbidades. Ao exame físico, paciente irritado, chorando, sem lágrimas, enchimento capilar de 4 segundos, mucosas secas. Peso habitual do paciente: 12kg e peso à admissão: 11,2kg. Como você classificaria a desidratação desse paciente e qual plano de reidratação adotaria?

Alternativas

  1. A) Desidratação moderada. Terapia de reidratação oral no serviço de saúde.
  2. B) Desidratação leve. Tratamento domiciliar com soro oral.
  3. C) Desidratação grave. Terapia de reidratação parenteral.
  4. D) Desidratação moderada.Terapia de reidratação parenteral, iniciar antibioticoterapia imediatamente.
  5. E) Desidratação grave. Terapia de reidratação oral, iniciar antibioticoterapia imediatamente.

Pérola Clínica

Desidratação: Perda de peso 5-10% + sinais clínicos (irritado, sem lágrimas, mucosas secas, TPC 2-3s) = Moderada → Plano B (SRO no serviço).

Resumo-Chave

A classificação da desidratação em crianças é baseada na perda de peso e nos sinais clínicos. Uma perda de peso de 6,6% (12kg para 11,2kg) associada a irritabilidade, ausência de lágrimas, mucosas secas e tempo de enchimento capilar de 4 segundos indica desidratação moderada. O plano de reidratação para desidratação moderada é o Plano B, com terapia de reidratação oral no serviço de saúde.

Contexto Educacional

A desidratação é uma complicação comum e potencialmente grave da diarreia aguda em crianças, sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente. A correta classificação da desidratação e a aplicação do plano de reidratação adequado são cruciais para o manejo eficaz e a recuperação do paciente. A avaliação clínica deve ser rápida e precisa, focando em sinais e sintomas que indicam o grau de perda hídrica. A classificação da desidratação baseia-se na perda de peso e na presença de sinais clínicos. A perda de peso é o indicador mais objetivo: <5% (leve), 5-10% (moderada) e >10% (grave). Sinais como irritabilidade, olhos fundos, ausência de lágrimas, mucosas secas, diminuição da elasticidade da pele e tempo de enchimento capilar prolongado (TPC) ajudam a corroborar a gravidade. No caso apresentado, a perda de peso de 6,6% (12kg para 11,2kg) e os sinais clínicos (irritado, sem lágrimas, mucosas secas, TPC 4s) são consistentes com desidratação moderada. O manejo da desidratação segue os Planos A, B e C. Para desidratação moderada, o Plano B é o indicado: terapia de reidratação oral (TRO) no serviço de saúde. Consiste na administração de 50-100 mL/kg de soro de reidratação oral (SRO) em 4 a 6 horas, em pequenas e frequentes doses, com reavaliação contínua. A antibioticoterapia não é rotineiramente indicada para diarreia aguda sem sinais de disenteria ou infecção bacteriana específica, e a reidratação parenteral é reservada para casos de desidratação grave ou falha da TRO.

Perguntas Frequentes

Como classificar a desidratação em lactentes com base na perda de peso e sinais clínicos?

A desidratação é classificada como leve (perda de peso <5%, poucos sinais), moderada (perda de peso 5-10%, irritabilidade, olhos fundos, sem lágrimas, mucosas secas, TPC 2-3s) ou grave (perda de peso >10%, letargia/inconsciência, choque, TPC >3s, ausência de pulso). A perda de peso é o indicador mais preciso.

Qual o plano de reidratação para desidratação moderada em lactentes?

Para desidratação moderada, o plano de reidratação é o Plano B, que consiste na administração de soro de reidratação oral (SRO) no serviço de saúde sob supervisão. O volume de SRO é de 50-100 mL/kg em 4 a 6 horas, oferecido em pequenas quantidades frequentemente, com reavaliação constante dos sinais de desidratação.

Quando a terapia de reidratação parenteral é indicada em casos de desidratação infantil?

A terapia de reidratação parenteral (intravenosa) é indicada para casos de desidratação grave, choque hipovolêmico, vômitos incoercíveis que impedem a TRO, distensão abdominal significativa com íleo paralítico, ou falha da terapia de reidratação oral após tentativas adequadas.

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