UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2020
Um lactente de 6 meses de idade, que era alimentado com leite materno e cereais, foi atendido em hospital por apresentar diarreia com evacuações líquidas, explosivas e sem sangue inúmeras vezes ao dia havia 2 dias. Segundo sua mãe, ele apresentava vômitos e estava febril e irritado havia 24 horas. No exame físico, foi observado que o lactente bebia água avidamente, seus olhos estavam encovados, sua boca estava seca e sua língua saburrosa. O turgor e a elasticidade da sua pele estavam diminuídos, e ele havia perdido 8% do seu peso. A respeito desse caso clínico, julgue o item seguinte. Esse lactente está desidratado e deve receber terapia de reidratação oral em nível domiciliar.
Sinais de desidratação moderada (perda 5-10% peso) → Plano B (reidratação supervisionada), não domiciliar.
Lactentes com sinais de desidratação moderada (irritabilidade, olhos encovados, sede ávida) devem ser tratados sob supervisão médica (Plano B) e não em casa (Plano A).
A desidratação secundária à diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade infantil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) padroniza o manejo em três planos (A, B e C) baseados na gravidade clínica. O caso clínico apresenta um lactente com sinais claros de desidratação moderada (irritabilidade, sede, olhos encovados), o que exige o Plano B. O Plano B preconiza a oferta de 50 a 100 mL/kg de SRO em um período de 4 a 6 horas, exclusivamente na unidade de saúde. Apenas após a reidratação completa e desaparecimento dos sinais clínicos é que o paciente pode receber alta para continuar o Plano A em domicílio. Erros na classificação levam a tratamentos insuficientes e risco de progressão para choque hipovolêmico.
Os sinais clínicos de desidratação moderada (Plano B) incluem irritabilidade, olhos encovados, sede ávida (bebe água com vontade), boca seca e sinal do prega que desaparece lentamente. A perda de peso estimada varia entre 5% e 10% em lactentes. A presença de dois ou mais desses sinais classifica o paciente para reidratação supervisionada em unidade de saúde, utilizando a Solução de Reidratação Oral (SRO) em volumes pequenos e frequentes.
O Plano A é indicado para crianças com diarreia sem sinais de desidratação clínica (prevenção). O Plano B é indicado quando há sinais de desidratação clínica presente, mas sem choque. No Plano B, a criança deve permanecer na unidade de saúde para receber a SRO sob supervisão da equipe de enfermagem e médica, com reavaliações frequentes até que os sinais de desidratação desapareçam, permitindo a transição para o Plano A.
A falha na terapia de reidratação oral (Plano B) ocorre em casos de vômitos persistentes e incoercíveis, distensão abdominal importante (íleo paralítico) ou piora do estado de hidratação evoluindo para choque. Nesses casos, o paciente deve ser migrado para o Plano C, que consiste em reidratação parenteral (intravenosa) imediata com soluções cristaloides para restauração rápida da volemia.
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