Manejo da Desidratação Pediátrica: Quando Usar o Plano B

SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025

Enunciado

Criança de 2 anos chega acompanhada de seus pais na emergência do hospital com quadro de diarreia há 2 dias. A mãe refere episódios de fezes líquidas sem a presença de sangue ou muco. Apresentou cerca de 6 a 7 episódios nas últimas 24 horas. Não há relato de febre e teve 2 episódios de vômitos. Recusa a dieta, mas está ávida por líquidos. Sinais vitais na chegada: Sat 96%, Tax 37,1ºC, Frequência respiratória 49 rpm. Frequência cardíaca 95 bpm. Ao exame físico: Aspecto geral bom, saliva espessa, ativa e reativa. Olhos encovados. Tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Ausculta cardiopulmonar sem alterações. Abdome depressível, globoso ruídos hidroaéreos aumentados e dor leve na palpação, sem visceromegalias. A melhor conduta nesse caso é:

Alternativas

  1. A) Alta para o domicílio com soro fisiológico e antibióticos do tipo cefalosporinas.
  2. B) Administrar o soro de reidratação oral sob supervisão médica (reparação das perdas vinculadas à desidratação). Manter o aleitamento materno e reavaliar após.
  3. C) Alta hospitalar com receita de analgésicos e antieméticos.
  4. D) Manter em observação hospitalar até visualizar o aspecto das fezes. E) Iniciar com 20 mL/kg de peso de soro fisiológico 0,9% em 5 minutos. Repetir essa quantidade até que a criança esteja hidratada, reavaliando os sinais clínicos após cada fase de expansão administrada.

Pérola Clínica

Olhos encovados + sede ávida + saliva espessa = Desidratação Moderada → Plano B (SRO supervisionado).

Resumo-Chave

O Plano B é indicado para desidratação clínica sem choque, priorizando a via oral supervisionada em unidade de saúde antes de considerar via parenteral.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade infantil, e a desidratação é sua complicação mais temida. O Ministério da Saúde e a OMS preconizam o uso da TRO como primeira linha para desidratação não grave devido à sua eficácia, baixo custo e menor taxa de complicações em comparação à hidratação venosa. O sucesso do Plano B depende da administração fracionada do soro, o que minimiza o risco de vômitos por distensão gástrica súbita. O exame físico deve ser repetido exaustivamente para monitorar a transição entre os planos de tratamento (A, B ou C), garantindo que a criança receba a intervenção menos invasiva e mais segura possível.

Perguntas Frequentes

Quais sinais clínicos definem a necessidade do Plano B?

O Plano B é indicado para crianças com desidratação clínica (leve a moderada), caracterizada por pelo menos dois dos seguintes sinais: irritabilidade, olhos encovados, sede ávida (bebe a água ou o soro rapidamente) e sinal da prega que desaparece lentamente (menos de 2 segundos). No caso clínico apresentado, a criança exibe saliva espessa, olhos encovados e está ávida por líquidos, o que confirma o estado de desidratação e a indicação de reidratação oral supervisionada.

Como é executada a Terapia de Reidratação Oral no Plano B?

A Terapia de Reidratação Oral (TRO) deve ser realizada na unidade de saúde sob supervisão médica ou de enfermagem. Administra-se o Soro de Reidratação Oral (SRO) em pequenas quantidades e frequentemente (colher ou copo). A quantidade estimada é de 50 a 100 ml/kg para ser administrada em um período de 4 a 6 horas. Durante este período, a alimentação deve ser suspensa, exceto o aleitamento materno, que deve ser mantido.

Quando o Plano B é considerado falho, indicando o Plano C?

A falha do Plano B ocorre se houver piora clínica, vômitos persistentes (mais de 3 em 1 hora) que impedem a ingestão do SRO, recusa em beber, aparecimento de sinais de choque (tempo de enchimento capilar > 3s, letargia, pulsos débeis) ou se a criança não hidratar após 4-6 horas de oferta adequada. Nesses casos, a via parenteral (intravenosa ou intraóssea) deve ser iniciada imediatamente conforme o Plano C.

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