Desidratação Pediátrica: Manejo e Plano B de Reidratação

Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2026

Enunciado

M.M.L; 2 anos, sexo feminino. Paciente dá entrada no Pronto Atendimento com quadro de diarreia de 5 dias de evolução, com fezes aquosas em grande volume, vários episódios ao dia. Mãe relata febre nos primeiros 2 dias; e quadro semelhante em toda família. AO EXAME: Hipocorado (1+/4+), anictérico, acianótico, mucosas secas, pulso aumentado, sedento, boa perfusão capilar, sem edemas. Aparelho Cardiovascular: Rítmo cardíaco regular em 2 tempos, sem sopros. Frequência cardíaca: 120bpm. Aparelho respiratório: Murmúrio vesícular fisiológico, sem esforço. Aparelho digestivo: Abdome normotenso, indolor, sem massas ou visceromegalias, ruído hidroaéreo positivo. Sobre o quadro clínico, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) O paciente apresenta sinais de desidratação, com necessidade de terapia de reidratação oral no serviço de saúde.
  2. B) O quadro clínico é provavelmente causado por um agente bacteriano, com necessidade de antibioticoterapia.
  3. C) Devido ao tempo de evolução do quadro, deve-se iniciar dieta isenta de lactose.
  4. D) A administração de Zinco só está indicada, caso o quadro dure mais de 14 dias.

Pérola Clínica

Sedento + Mucosas secas + Pulso ↑ = Desidratação moderada → Iniciar Plano B (TRO supervisionada).

Resumo-Chave

O Plano B é indicado para crianças com sinais de desidratação clínica sem gravidade, exigindo reidratação oral supervisionada em unidade de saúde.

Contexto Educacional

A gastroenterite aguda (GEA) continua sendo uma causa significativa de morbidade e mortalidade infantil, principalmente devido à desidratação. O diagnóstico é eminentemente clínico, e a classificação do estado de hidratação orienta o manejo imediato através dos Planos A, B ou C do Ministério da Saúde/OMS. Este caso clínico ilustra uma criança com sinais claros de desidratação (sede, mucosas secas, taquicardia), mas sem sinais de choque (boa perfusão, sem alteração grave de consciência), o que enquadra o manejo no Plano B. A compreensão de que a reidratação oral é superior à venosa em casos não graves é fundamental para evitar complicações e custos hospitalares desnecessários.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos que definem o Plano B de reidratação?

O Plano B é indicado quando a criança apresenta dois ou mais dos seguintes sinais: irritabilidade/inquietação, olhos fundos, sede excessiva (bebe avidamente) e sinal da prega que desaparece lentamente. No exame físico, também podem ser observadas mucosas secas e pulsos rápidos. Diferente do Plano C, não há sinais de choque ou comprometimento do nível de consciência grave.

Como deve ser administrada a TRO no Plano B?

A Terapia de Reidratação Oral (TRO) no Plano B deve ser realizada na unidade de saúde. A dose recomendada é de 50 a 100 ml/kg de Sais de Reidratação Oral (SRO) administrados em um período de 4 horas. A administração deve ser lenta e fracionada. Se o paciente evoluir para hidratação completa, passa-se ao Plano A; se persistir desidratado, mantém-se o Plano B; se houver piora, evolui-se para o Plano C.

Qual o papel do Zinco no tratamento da diarreia aguda?

O Zinco é um micronutriente essencial que deve ser administrado em todos os casos de diarreia aguda em crianças, independentemente do estado de hidratação. Ele ajuda a reduzir a duração e a gravidade do episódio atual, além de prevenir novos episódios de diarreia nos 2 a 3 meses subsequentes. A recomendação padrão é o uso por 10 a 14 dias.

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