Manejo da Desidratação Infantil: Protocolos OPAS/OMS

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Um lactente do sexo masculino, com 3 meses de vida, amamentado exclusivamente ao seio, é atendido no Setor de Pediatria de uma Unidade de Emergência com história de diarreia há três dias, caracterizada por cerca de dez dejeções por dia, perda de peso (400 g) e dois episódios de vômito. Exame físico: criança irritada, com olhos encovados, lágrimas ausentes, boca e língua secas; sinal da prega cutânea desaparece lentamente. Bebe com avidez os líquidos oferecidos. Temperatura = 37,5°C. Peso = 5.600 g. Qual a conduta mais adequada conforme o Programa de Controle de Doenças Diarreicas da OP AS/OMS?

Alternativas

  1. A) Manter o estado de hidratação com uso frequente, no domicílio, de soro de reidratação oral; manter o aleitamento materno.
  2. B) Após 2 horas de instituída a terapia com soro de reidratação oral, percebendo-se boa hidratação e recuperação do peso, manter a criança internada e em jejum até completar as 4 horas preconizadas para observação.
  3. C) Manter a criança em observação, prescrever soro de reidratação oral, 50 a 100 mL/kg, fracionado durante 4 horas; suspender a alimentação durante o período de observação.
  4. D) Iniciar o tratamento com infusão lenta de soro de reidratação oral por sonda nasogástrica, 30 mL/kg/hora; suspender a alimentação.
  5. E) Após 2 horas de instituída a terapia com soro de reidratação oral, se o peso da criança for estável e o sinal da prega desaparecer muito lentamente, iniciar hidratação venosa; manter o aleitamento materno.

Pérola Clínica

Sinal da prega desaparece MUITO lentamente + piora clínica no Plano B → Falha terapêutica → Iniciar Plano C (IV).

Resumo-Chave

A falha na resposta à Terapia de Reidratação Oral (TRO) após reavaliação, evidenciada por sinais de desidratação grave, exige a transição imediata para a hidratação parenteral.

Contexto Educacional

O Programa de Controle de Doenças Diarreicas da OPAS/OMS estratifica o tratamento em três planos (A, B e C). O lactente do caso apresenta inicialmente sinais de 'Alguma Desidratação' (irritabilidade, olhos encovados, sede ávida, prega lenta), o que justifica o Plano B (reidratação oral supervisionada na unidade de saúde). A reavaliação é a pedra angular do manejo. Se após um período de observação (no caso, 2 horas) a criança apresenta sinais de agravamento, como o sinal da prega desaparecendo 'muito lentamente', o diagnóstico muda para 'Desidratação Grave'. Nestas circunstâncias, a via oral não é mais suficiente ou segura, sendo imperativo iniciar a hidratação venosa (Plano C) para restaurar rapidamente o volume intravascular e prevenir o choque.

Perguntas Frequentes

Quais sinais indicam falha no Plano B de reidratação?

A falha no Plano B é caracterizada pela persistência ou piora dos sinais de desidratação (como o sinal da prega desaparecendo muito lentamente, letargia ou perda de consciência), perda de peso durante a observação, vômitos incoercíveis (mais de 4 em 1 hora) ou recusa em beber o soro.

Como diferenciar o sinal da prega 'lento' do 'muito lento'?

O sinal da prega 'lento' (até 2 segundos) é típico de desidratação moderada (Plano B). O sinal 'muito lento' (mais de 2 segundos) é um sinal de alerta para desidratação grave ou choque hipovolêmico, indicando a necessidade de intervenção imediata via Plano C.

Qual a conduta se a criança hidratar antes das 4 horas no Plano B?

Se após a reavaliação (geralmente feita a cada hora, mas formalmente após 4h) a criança não apresentar mais sinais de desidratação, ela pode receber alta para o Plano A (domiciliar), com orientações sobre sinais de perigo e manutenção do aleitamento materno.

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