Desidratação em Lactentes: Manejo e Terapia de Reidratação

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Lactente, 9 meses de idade, foi levada ao Pronto-Socorro por sua mãe, que relata que a filha está com diarreia há dois dias e que vomitou três vezes desde a manhã. A criança tem apresentado dificuldade para mamar e não tem urinado nas últimas 6 horas. Ao exame, a menor apresentase irritada, com olhos fundos, mucosas úmidas e prega cutânea que se desfaz em 8 segundos. Sem febre.Com base no grau provável de desidratação, indique o tratamento preconizado no primeiro momento no Pronto Atendimento:

Alternativas

  1. A) Administração intravenosa de solução salina normal.
  2. B) Início imediato de terapia de reidratação com soro oral.
  3. C) Observação e orientação para aumentar a ingestão de líquidos em casa.
  4. D) Administração de antieméticos e reavaliação.

Pérola Clínica

Prega cutânea > 2s + irritabilidade + olhos fundos = Desidratação moderada → Plano B (SRO).

Resumo-Chave

O Plano B é indicado para desidratação moderada (sem choque), priorizando a via oral com SRO supervisionada na unidade de saúde até a reidratação.

Contexto Educacional

O manejo da desidratação secundária à doença diarreica aguda é uma das competências fundamentais na pediatria. A Terapia de Reidratação Oral (TRO) revolucionou a medicina ao reduzir drasticamente a mortalidade infantil por desidratação. O caso clínico apresenta um lactente com sinais claros de desidratação moderada: irritabilidade, olhos fundos e sinal da prega positivo (8 segundos é um tempo muito prolongado, indicando desidratação importante, mas a presença de mucosas úmidas e irritabilidade ainda permite a tentativa de Plano B). O Plano B consiste na administração de 50 a 100 ml/kg de SRO em um período de 4 horas, realizado na unidade de saúde sob supervisão médica ou de enfermagem. A oferta deve ser fracionada (colheres ou copo) para minimizar o risco de vômitos. O sucesso da terapia é avaliado pela melhora do estado de alerta, desaparecimento dos sinais de desidratação e ganho de peso. Somente após a reidratação completa o paciente pode receber alta com orientações para o Plano A (manutenção em domicílio).

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de desidratação moderada vs grave?

A avaliação do grau de desidratação em pediatria baseia-se em sinais clínicos clássicos. A desidratação moderada (Plano B) é caracterizada por uma criança irritada, com olhos fundos, ausência de lágrimas, mucosas secas e sede intensa (bebe a água avidamente). Um sinal fidedigno é o sinal da prega, que na desidratação moderada desaparece lentamente (menos de 2 segundos). Já a desidratação grave (Plano C) manifesta-se por letargia ou inconsciência, incapacidade de beber líquidos, pulsos débeis ou ausentes, tempo de enchimento capilar prolongado (> 3 segundos) e sinal da prega que desaparece muito lentamente (mais de 2 segundos). A identificação correta é crucial, pois o Plano B foca na reidratação oral supervisionada, enquanto o Plano C exige intervenção intravenosa imediata para expansão volêmica.

Quando o Plano B de reidratação é considerado falho?

A falha da Terapia de Reidratação Oral (TRO) no Plano B ocorre quando o paciente apresenta vômitos persistentes e incoercíveis (geralmente mais de 4 episódios em 1 hora), distensão abdominal importante com íleo paralítico, ou quando há uma piora do estado de consciência (letargia ou coma). Outro critério de falha é a perda de peso contínua ou a não melhora dos sinais de desidratação após 4 horas de oferta adequada de SRO. Nesses casos, ou se o paciente evoluir com sinais de choque (Plano C), a via intravenosa torna-se mandatória. A transição deve ser rápida para evitar a progressão para falência de múltiplos órgãos. Em situações de vômitos frequentes mas sem choque, a gastróclise pode ser tentada antes da via venosa, mas a instabilidade hemodinâmica sempre exige acesso venoso imediato.

Qual a composição ideal do Soro de Reidratação Oral?

O Soro de Reidratação Oral (SRO) recomendado pela OMS possui uma composição específica desenhada para otimizar o cotransporte de sódio e glicose no epitélio intestinal, o que facilita a absorção de água mesmo durante episódios diarreicos. A fórmula de baixa osmolaridade (245 mOsm/L) contém 75 mEq/L de sódio, 75 mmol/L de glicose, 20 mEq/L de potássio e 10 mEq/L de citrato. Esta composição é superior às fórmulas antigas de alta osmolaridade, pois reduz o volume das fezes, a incidência de vômitos e a necessidade de hidratação venosa não planejada. É fundamental orientar os pais a não diluírem o soro em excesso nem adicionarem açúcar, pois alterações na osmolaridade podem agravar a diarreia por mecanismo osmótico, prejudicando a recuperação hidroeletrolítica da criança.

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