Manejo da Desidratação Infantil: Plano B e TRO

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Mariana, uma menina de 4 anos de idade, é levada ao serviço de pronto atendimento com história de diarreia aquosa profusa há 24 horas, com episódios frequentes que a mãe descreve como "água de arroz". A criança apresenta vômitos ocasionais e nega febre. A família reside em uma comunidade que recentemente enfrentou problemas no abastecimento de água tratada. Ao exame físico, Mariana encontra-se irritada, com sede sedenta, mucosas secas, olhos encovados e o sinal da prega desaparece em menos de 2 segundos. O enchimento capilar é de 2 segundos e o pulso está rápido e com boa amplitude. Com base no quadro clínico e na classificação de desidratação, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Iniciar terapia de reidratação oral (TRO) supervisionada na unidade de saúde com 50 a 100 mL/kg de solução de sais de reidratação oral em um período de 4 a 6 horas.
  2. B) Indicar internação para hidratação venosa imediata com soro fisiológico 0,9% (20 mL/kg), repetindo a expansão até a estabilização hemodinâmica, seguida de manutenção.
  3. C) Prescrever plano de reidratação domiciliar com soro caseiro, zinco por 10 dias e orientar retorno imediato caso a criança apresente sinais de perigo ou persistência dos vômitos.
  4. D) Solicitar coprocultura e pesquisa de toxinas nas fezes, mantendo a criança em observação com dieta leve até a saída dos resultados para guiar a antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Sede sedenta + irritabilidade + olhos encovados = Plano B (TRO supervisionada 50-100 mL/kg).

Resumo-Chave

A criança apresenta sinais de desidratação moderada (Plano B). A conduta preconizada é a reidratação oral supervisionada na unidade de saúde antes de considerar alta ou via parenteral.

Contexto Educacional

A diarreia aguda é uma das principais causas de morbimortalidade infantil global. O quadro de 'água de arroz' sugere etiologias como o Vibrio cholerae, exigindo vigilância epidemiológica. O manejo baseia-se na classificação do estado de hidratação em Planos A, B ou C. O Plano B foca na reidratação oral supervisionada, utilizando soluções de osmolaridade reduzida para otimizar a absorção de sódio e água via cotransportador SGLT-1. A introdução precoce de zinco é recomendada para reduzir a duração e gravidade dos episódios, além de prevenir recorrências nos meses subsequentes.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais clínicos que definem o Plano B?

O Plano B é indicado quando a criança apresenta pelo menos dois dos seguintes sinais: irritabilidade/inquietação, olhos encovados, sede sedenta (bebe avidamente) e sinal da prega que desaparece lentamente (menos de 2 segundos). Diferencia-se do Plano A (sem desidratação) e do Plano C (desidratação grave/choque).

Como é calculada a oferta de SRO no Plano B?

A recomendação é administrar de 50 a 100 mL/kg de Sais de Reidratação Oral (SRO) em um período de 4 a 6 horas, exclusivamente na unidade de saúde sob supervisão. A oferta deve ser fracionada e contínua, reavaliando o estado de hidratação constantemente.

Quando suspender a TRO e passar para via parenteral?

A via parenteral (Plano C) deve ser considerada se houver falha na TRO, caracterizada por vômitos persistentes (mais de 4 em 1 hora), distensão abdominal importante com íleo paralítico, ou se a criança evoluir para desidratação grave com sinais de choque ou alteração do nível de consciência.

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