INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um lactente, com oito meses e meio de idade, é atendido na Unidade Básica de Saúde com diarreia líquida, com média de sete evacuações ao dia, vômitos e febre. Os sintomas iniciaram-se há dois dias, juntamente com coriza e tosse. Desde os quatro meses de idade, o lactente alimentase com leite materno, mamadeira (leite de vaca diluído ao meio e farinha) e papa de vegetais (cada uma dessas refeições, duas vezes ao dia). Ao exame físico, o médico observou choro intenso e sem lágrimas, olhos fundos, boca seca, enchimento capilar prejudicado e sinal da prega desaparecendo lentamente. O lactente está recusando a alimentação, exceto leite materno, que mama avidamente. A conduta indicada para esse lactente é hidratação:
Desidratação moderada (Plano B) → 100 mL/kg de SRO em 4h + manter aleitamento materno.
O lactente apresenta sinais de desidratação moderada (olhos fundos, boca seca, sinal da prega lento). A conduta padrão é o Plano B: reidratação oral supervisionada na unidade de saúde.
A desidratação por diarreia aguda continua sendo uma causa importante de morbimortalidade infantil. O reconhecimento precoce dos sinais clínicos permite a intervenção com a Terapia de Reidratação Oral (TRO), que é altamente eficaz e evita complicações e hospitalizações desnecessárias. O Plano B foca na correção do déficit hídrico já estabelecido. Além da hidratação, a readequação alimentar após a fase de reidratação é crucial. Erros comuns no preparo de fórmulas infantis (como diluição excessiva ou adição de farinhas inadequadas) podem perpetuar quadros diarreicos ou levar a distúrbios hidroeletrolíticos e nutricionais, devendo ser corrigidos na orientação de alta.
O Plano B é indicado para crianças com sinais clínicos de desidratação, mas que não apresentam sinais de choque (desidratação grave). Os sinais incluem irritabilidade, olhos fundos, sede ávida, boca seca e sinal da prega que desaparece lentamente (menos de 2 segundos). O tratamento deve ser realizado na unidade de saúde sob supervisão médica ou de enfermagem, utilizando a Terapia de Reidratação Oral (TRO).
A recomendação atual do Ministério da Saúde e da OMS para o Plano B é a administração de 50 a 100 mL/kg de Soro de Reidratação Oral (SRO) em um período de 4 a 6 horas. O volume deve ser oferecido em pequenas quantidades e frequentemente. Se a criança vomitar, deve-se aguardar 10 minutos e reiniciar a oferta mais lentamente.
Não. O aleitamento materno deve ser mantido durante todo o processo de reidratação (Planos A, B e C). O leite materno ajuda na hidratação, fornece nutrientes essenciais e possui fatores imunológicos que auxiliam na recuperação da mucosa intestinal, além de ser geralmente bem aceito pela criança mesmo quando outros alimentos são recusados.
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